O comentador da TVI24, Fernando Medina, considera que a coligação Portugal à Frente se encontra estabilizada em valores muito próximos do seu mínimo histórico e com pouca margem de progressão, se mantiver a estratégia defensiva que tem pautado a sua campanha eleitoral.

No programa “Cara, Caso, Conta”, da TVI24, apoiado pelos números da “sondagem das sondagens”, ou seja, de uma sondagem de Pedro Magalhães que faz a média das sondagens feitas até à data, Medina acredita que o PS ainda tem uma margem significativa de progressão, mas conta com dificuldades: por um lado, tem de demarcar-se da restante esquerda e assegurar estabilidade e confiança ao eleitorado do centro.

Esta sondagem dá a vitória à PàF, com 36,8% das intenções de voto. O PS surge com 36% dos votos. A CDU aparece em terceiro lugar, com 8,7% de votos e o Bloco de Esquerda mobiliza 5,2% do eleitorado.

Para o comentador, o caso da semana é a abertura do ano letivo, com nota vermelha para o adiamento de uma semana decidido pelo Governo e o Ministério de Nuno Crato. Para Medina, a área da educação é precisamente a que teve nota mais baixa no trabalho apresentado pela coligação, nos últimos quatro anos. “É um retrocesso de várias décadas”, afirmou, acrescentando que o ensino é hoje “mais pequeno, mais elitista e mais fechado”.

Alexis Tsipras, o vencedor das eleições gregas de domingo, é a cara da semana, pelo facto de ter conseguido uma “vitória clara”, numa reeleição que acontece depois do governo Syriza ter aprovado um terceiro resgate ao país e ter satisfeito as exigências dos credores internacionais. Para Medina, o sufrágio mostrou ainda a total derrota da ala mais radical do Syriza, cujo partido não conseguiu eleger um deputado.  Medina sublinha que a mensagem dos gregos é clara e deve pôr os eleitores portugueses a pensar se querem votar em partidos que defendem a saída do euro.

Cara:

“Tsipras teve uma vitória clara e pessoal, acima de tudo. E é a derrota da ala mais radical do Syriza que abandonou Tsipras e decidiu concorrer com um programa de rutura com a UE. É uma mensagem clara dos gregos contra uma estratégia de rutura com a Europa e a moeda única e quem também tem implicações no nosso país. Temos partidos que de forma mais clara ou escondida defendem rutura com a UE e uma preparação para saída do euro. É bom que vejamos sinais de povos que viram muito bem o que isto significava”

Caso:

“Portugal foi dos países europeus que mais tarde começou o ano letivo, só à frente de Malta. É uma decisão com consequências: prejudica a organização das famílias, tem consequências financeiras e espero que não tenha [consequências] na capacidade das escolas cumprirem o programa. Este é o último ano sobre vigência de Nuno Crato e Passos Coelho. Creio que a educação é área onde o balanço é mais negativo e representa um retrocesso de varias décadas.

Conta:


 “O PS e a coligação estão muito próximos, todas as sondagens dão um empate técnico. Há uma elevada percentagem de indecisos e que pode tomar varias opções: quer não ir votar, quer reforçar um dos lados. As oscilações nos resultados do PS colocam-se menos entre PS e coligação e mais entre PS e os partidos à sua esquerda. Julgo que o cenário mostra uma corrida particularmente renhida. Nada está decidido e se não for votar, outros vão decidir por si”