José Miguel Júdice afirmou esta terça-feira, na 21ª Hora da TVI24, que, atualmente, o valor do Novo Banco é negativo. Segundo o antigo bastonário da Ordem dos Advogados, as avaliações que estão a ser feitas ao Novo Banco levam a concluir que, quer na parte bancária, quer na parte não bancária, o banco "não vale nada".

O novo comentador da TVI adianta que quem comprar o Novo Banco terá de injetar dois a três mil milhões de euros.

Pegaram naquilo que era o bife do lombo, a melhor parte da vaca e colocaram-na num banco de transição chamado Novo Banco. O resto deitaram fora", começou. "Teve 4,5 biliões de molho e, para que o bife continue com aspeto comestível, precisa de mais dois ou três biliões."

Questionado sobre a venda do banco, José Miguel Júdice explicou que será "uma tragédia" e que vai implicar perdas para o fundo de resolução e para os contribuintes, ao contrário do que garantiu a semana passada o Governador do Banco de Portugal.

Uma tragédia para o fundo de resolução, para todos nós que vamos pagar isto de uma forma ou de outra e, a ser encontrado um comprador, o banco vai ser comprado - usando um plebeísmo - pelo preço da uva mijona."

O comentador, que acusou ainda o atual Governo de querer fazer a venda à pressa, revelou que Novo Banco poderá ser vendido ao preço do BPN, o que vai implicar um prejuízo de mais de 4.800 milhões de euros.

Eu acho que isto tem laivos de escândalo. E vão ser pedidas contas, não só ao presidente do Banco de Portugal, mas aos políticos daquela altura que, com medo, fizeram uma solução que provavelmente não era a mais inteligente."

A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do Banco Espírito Santo (BES), depois do banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros.

O processo de reestruturação porque tem passado o Novo Banco tem em vista a venda, depois da primeira tentativa falhada. O prazo para a entrega de propostas, junto do Banco de Portugal, terminou na passada quinta-feira. 

Os valores das cinco propostas permanecem no segredo dos deuses, mas devem andar longe do valor necessário para recuperar o dinheiro injetado no banco "bom" aquando da dissolução do BES. Foram 4.900 milhões de euros injetados pelo Fundo de Resolução, dos quais 3.900 emprestados pelo Estado.