Manuela Ferreira Leite criticou, na TVI24, a direção do PSD por ainda não ter apoiado formalmente a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa e lamentou as críticas de alguns setores de direita que podem incentivar o aparecimento de outro candidato.
 

“Não consigo perceber por que é que o PSD não apoia formalmente Marcelo. De que está à espera? A que estratégia está subordinada a direção do partido?”

 
A ex-líder social-democrata sublinhou que o apoio de um partido a um candidato “não deve depender de simpatias pessoais”, admitindo que a candidatura de Marcelo “não agrade” à liderança de Pedro Passos Coelho.
 

“Mas as bases do partido todas apoiam Marcelo, o partido em si está todo com ele, por isso a direção tem muita dificuldade em dizer que não o apoia formalmente.”

 
Questionada sobre se espera que ainda surja um outro candidato de direita, Ferreira Leite respondeu que isso seria “abrir uma autoestrada para perder as eleições”.
 

“Se aparecesse agora outro candidato, dividiria este espaço e daria uma segunda volta, onde provavelmente a esquerda teria mais votos.”

 
A comentadora não acredita que Rui Rio ainda possa candidatar-se, porque o ex-autarca “não ia dar uma cambalhota e tomar uma decisão para dividir o eleitorado” de direita.
 
Manuela Ferreira Leite aponta que a divisão de candidatos à esquerda “potencia” a candidatura de Marcelo, que considera “talvez a única oportunidade do PSD para se recentrar”.
 

“Marcelo pode tornar a pôr o partido no centro. Enquanto o PSD estiver encostado à direita, com muita dificuldade vai conseguir governar sozinho.”

 
Por isso mesmo, não vê a candidatura de Marcelo como “de direita”, porque Marcelo é “social-democrata” e Manuela Ferreira Leite não quer ver o PSD “como um partido de direita”.
 
Questionada sobre as críticas a Marcelo por não prometer desde já deitar abaixo um eventual Governo PS e convocar eleições, a ex-líder do PSD elogia o candidato por não abordar esta matéria.
 

 “Teria dificuldade em votar num candidato que fizesse um anúncio desses. O Presidente da República não pode dissolver a Assembleia da República e convocar eleições porque acorda maldisposto.”

 

“Se esse for um Governo ilegítimo e fraudulento, não precisávamos de esperar por outro Presidente, porque Cavaco também o consideraria e agiria em conformidade. Não podemos pedir a outro Presidente que tenha conceções constitucionais diferentes das deste.”