PSD e PS trocaram hoje acusações de «cadastro» e «burla política» sobre o pedido de ajuda externa e a política de austeridade, durante a discussão do orçamento retificativo, em que o socialista Pedro Silva Pereira interveio.

Após uma intervenção do ex-ministro Pedro Silva Pereira, a argumentação endureceu depois de o deputado social-democrata Duarte Pacheco ter acusado o deputado socialista, em particular, e o PS, em geral, de terem «cadastro» e não «curriculum».

Duarte Pacheco reiterou que, por seu turno, o Governo PSD/CDS-PP tem um «discurso de verdade».

«Eu acho extraordinário que o partido que é responsável pela maior burla política que existiu em Portugal, que prometeu fazer um ajustamento pelo lado das gorduras do Estado e nem consegue aprovar um guião para a reforma do Estado, que prometeu que não faria medidas de sacrifícios sobre as pessoas e sobre as famílias e fez um enorme aumento de impostos, que cortou nos salários, cortou nas pensões, seja capaz de vir aqui hoje falar de verdade aos portugueses», respondeu Pedro Silva Pereira.

Para o ex-ministro de José Sócrates «a tragédia que o país está a viver o preço dessa burla política que foi vendida aos portugueses».

«Nós não precisávamos de ter tido este pedido de ajuda externa, os senhores quiseram-no, pois que vos faça bom proveito porque os portugueses estão a sofrer com essa vossa escolha, que é filha da irresponsabilidade», defendeu.

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, pediu a palavra para defender a honra da bancada e acusar de «descaramento» Pedro Silva Pereira e o PS.

«É preciso muito descaramento para acusar esta bancada de burla, porque verdadeiramente burlados foram os portugueses, com a governação à qual o senhor está associado e que levou o país a pedir ajuda externa», afirmou.

«Burla política é apresentar um Orçamento a esta Assembleia da República em que se pedia um défice 2% e terminar esse ano com défice igual ou superior a 10%. Burla política é aumentar os salários dos funcionários públicos em véspera de eleições para depois no momento seguinte retirar o que se deu, aumentando impostos e diminuindo salários», acusou.

Pedro Silva Pereira ainda voltou a intervir para acusar o PSD de, com o objetivo de «caçar o voto nas eleições» ter prometido que «o ajustamento seria feito pelo lado das gorduras do estado», com «o doutor Pedro Passos Coelho a dizer a uma criancinha que não ia cortar nos subsídios».