Lisboa perdeu nos últimos 50 anos 300.000 habitantes, mas o número de habitações é hoje cinco vezes maior e estima-se que cerca de 60 mil destas casas estejam vazias, avança a Lusa.

Reconquistar quem abandonou a cidade ou conseguir recuperar habitantes com novos moradores é um dos grandes objectivos do Plano Local de Habitação (PLH), a par da reabilitação dos edifícios e da dinamização do mercado do arrendamento.

Comprar, alugar, investir ou esperar?

Leilão: 90 imóveis vendidos num dia

Se em 1960 a capital tinha 800 mil habitantes, hoje são pouco mais de 500 mil e a população de Lisboa é quase duas vezes mais envelhecida do que a da sua região e do país.

Segundo dados revelados recentemente pela autarquia, a Câmara de Lisboa gastou entre 1997 e 2007 um total de 1.135 milhões de euros em políticas de habitação e reabilitação.

Contudo, entre 1991 e 2001 perdeu 100.000 habitantes, e o INE estima que Lisboa continua em perda numa média de 10 mil habitantes/ano.

Quer comprar casa em saldo?

Cuidados a ter na compra de um imóvel em leilão

Na área da reabilitação, nos últimos 15 anos a autarquia comparticipou com 10,6 milhões de euros no programa RECRIA, 5,7 milhões no REHABITA e 473.500 no RECRIPH.

No entanto, este investimento apenas deu para ajudar a recuperar em Lisboa pouco mais de 2.200 edifícios (13.859 fogos).

Também os programas de reabilitação urbana lançados há cinco anos pela empresa municipal EPUL podiam ter corrido melhor: Só um dos três está concluído e, mesmo assim, recuperou pouco mais de metade dos prédios inicialmente previstos.

Os programas «LX a Cores», «Repovoar Lisboa» e «Alfama - Quem cuida Ama» tinham um investimento inicial previsto de 70 milhões de euros para mais de 240 edifícios, mas já se gastaram 64,7 para recuperar 166 imóveis.

Em 2001 o número de fogos devolutos em Lisboa ultrapassava os 40 mil. Hoje, o movimento «Cidadãos por Lisboa», da vereadora responsável pelo PLH, estima que o concelho tenha 60 mil casas vazias.

De um total de 4.681 prédios devolutos identificados o ano passado em Lisboa, a maioria é propriedade particular. Mais de 300 pertencem à Câmara Municipal e 60 a entidades públicas.

Mas se quem procura casa quer equipamentos, escolas e estruturas de apoio na área da saúde, também aqui a tarefa dos técnicos do PLH para recuperar habitantes não será fácil.

De acordo com os últimos dados conhecidos Lisboa precisa de sete novas unidades de saúde e de substituir outras 18.

Na área da educação as coisas não estão melhores: Há 12 freguesias de Lisboa sem qualquer creche e para que o concelho atingisse uma taxa de cobertura média de 50 por cento faltariam construir 76.

Casas arrendadas: de 60 para 47 por cento

Quanto ao arrendamento, entre 1991 e 2001 a percentagem de casas arrendadas em Lisboa caiu de 60 para 47 por cento, de acordo com os dados do INE.

O ano passado a Comissão Arbitral Municipal, que gere as vistorias às casas com vista a um eventual aumento da renda, tinha menos de 4.000 processos.