Por: Redacção / André Vieira | 12- 7- 2009 2: 38
A notícia do cancelamento de última hora da, mais que adiada, presença dos Depeche Mode em Portugal antecipava um primeiro
acto do Super Rock a meio tempo. Não tivesse sido a actuação dos Nouvelle Vague e o arranque do festival tardaria para aqueles
que optaram por não devolver o bilhete.
A banda de Marc Collin e Olivier Libaux trouxe ao Porto uma dupla brilhante
de vocalistas, formada por Melanie Pain e Nadya Miranda, que espalharam sensualidade no palco montado no estádio do Bessa.
A bossa nova mesclada dos franceses chegou nalguns momentos a transpirar rock and roll, mas apenas em termos visuais
e muito por culpa da postura endiabrada de Nadya Miranda, que aliava à pose sedutora uma atitude quase rock star. Quando tocaram
«To Drunk to Fuck», versão dos punks Dead Kennedys, chegou mesmo a saltar para o meio do público enquanto Melanie Pain, mais
contida, continuava com o refrão. O público alinhou e deixou-se levar.
Durante uma hora e um quarto, que passou rápido
de mais, tocaram temas como «Ever Falls in Love», «Human Fly», «God Save the Queen», «Blister in the Sun», até terminarem
com «Love Tear as Apart». Quem foi para ver os Depeche Mode o mais próximo que conseguiu foi com «Just Can`t Get Enough»,
ainda a meio de concerto, mas a reacção da audiência não foi tão efusiva quanto isso, revelando um certo ressentimento pela
ausência da banda.
Peter Bjorn and John acordam o público
Antes dos Nouvelle Vague tocaram Peter
Bjorn and John, logo depois dos portugueses Soapboax e da dupla franco-americana Motor.
Se as outras duas bandas
não conseguiram convencer o ainda pouco público presente, os suecos, já com mais gente no recinto acordaram a audiência, ainda
assim numa actuação pouco inspirada. Os pontos altos do concerto foram o single «Nothing to Worry About», do último álbum,
e uma versão mais curta de «Young Folks».
Uma das primeiras bandas a quem coube a difícil tarefa de substituir
os cabeças de cartaz foram os The Gift. Os portugueses estiveram bem e cumpriram a tarefa, conseguindo agarrar os presentes.
O
público sabia os temas de cor e cantou em coro «Driving You Slow», «Music» ou «Ok! Do You Want Something Simple?», que contou
com a participação de Ricardo Braga, antigo membro da banda de Alcobaça. Outro convidado foi Mário Barreiros, conhecido produtor
que assumiu aqui a função de baterista.
Xutos agradeceram a Cristiano Ronaldo
A fechar a noite,
marcada pelo fantasma dos Depeche Mode, estiveram os Xutos e Pontapés ou como disse Sónia Tavares vocalista dos The Gift,
«a nossa banda». Convidados em cima do joelho, prontificaram-se a fazer aquilo que sabem e assumiram o papel sem vacilar.
Ver
um concerto de Xutos é assistir a uma compilação de temas que acompanharam gerações. Os trinta anos de carreira amadureceram
a banda, mas ainda não lhes tirou a garra de palco. Poucos são os que não conhecem as suas músicas o que acaba por transformar
qualquer concerto numa espécie de reunião familiar.
Todos os clássicos foram revisitados. Não faltou «Circo de Feras»,
«Minha Casinha», «Não sou o Único», «Chuva Dissolvente» ou «Homem do Leme», com Tim a fazer referência à estátua na Foz com
o mesmo nome. Já no encore, com João Paulo na bateria, Kalú passou para o microfone para cantar o novo single «Sem Eira nem
Beira».
Em jeito de brincadeira e em altura de agradecimentos aproveitaram ainda para fazer um agradecimento público
a Cristiano Ronaldo por ter usado «À Minha Maneira» como música de apresentação no Real Madrid.
Acima de tudo,
o primeiro acto do festival Super Rock ficou marcado pelo cancelamento dos Depeche Mode que acabou por afastar grande parte
do público, que ocupava apenas metade do relvado, e afectar a disposição dos presentes. A fraca adesão deve-se essencialmente
a esta ausência e ao facto do resto do cartaz não ter nenhum nome apelativo para as multidões.
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