Street racers a acelerar na net

Há vídeos de corridas ilegais espalhados na internet. Autores nem se preocupam em esconder a identidade. Autoridades não podem puni-los com base nessas imagens

Por: / e Cláudia Lima da Costa    |   11 de Abril de 2006 às 21:06
Um BMW a circular nas estradas portuguesas a 340 km/h, uma corrida na ponte Vasco da Gama, que atingiu os 220 km/h. Estes são apenas alguns exemplos de vídeos de street racing que o PortugalDiário encontrou na internet.

Os vídeos estão ao alcance de qualquer um, bastando uma simples pesquisa num motor de busca. Os autores identificam muitas vezes os locais da corrida e nem parecem muito preocupados em esconder a identidade. A explicação é simples: mesmo que seja possível identificar os veículos e os condutores, as autoridades não podem fazer nada tendo com base apenas estes vídeos.

Contactado pelo PortugalDiário, o major Lourenço da Silva, da Brigada de Trânsito, afirmou que a GNR tem acesso a estas imagens, mas não pode «utilizá-las como prova», nem pode «levantar um auto de contra-ordenação só com base nesses vídeos». «Se filmasse alguém a matar outra pessoa, esse vídeo não podia servir como prova, porque há sempre a possibilidade de as imagens terem sido manipuladas», adiantou o responsável da BT.

Ainda assim, a GNR trabalha com estas imagens para recolher informações sobre locais e horários em que decorrem essas corridas. «Ao ver estas imagens temos a perfeita noção da imprudência destas pessoas. Estão a dar-nos informação que vamos colhendo e tratando», explicou.

O major Lourenço da Silva explicou que «o objectivo não é acabar com as corridas, mas identificar os indivíduos e os veículos em situação ilegal», já que o street racing não é crime, mas é sempre ilegal por se tratar de corridas na via pública excedendo os limites de velocidade e pondo em perigo terceiros. Por isso, os indivíduos apanhados nestas corridas só podem ser acusados de condução perigosa, a não ser quando as «brincadeiras ao volante» correm mal.

Três jovens envolvidos numa corrida street racing, que causou três mortos, estão a ser julgados no Tribunal de Palmela, dois deles acusados de homicídio e um de condução perigosa. Este é um dos primeiros casos de street racing a chegar à barra dos tribunais.

A Ponte Vasco da Gama, o final da A5, o IC16 (Belas-Alfornelos) e a recta do picanço, em Palmela, são alguns dos locais preferidos pelos street racers e também das autoridades, que continuam com as acções de fiscalização para identificar os infractores.

Só na ponte Vasco da Gama é apanhado um condutor em excesso de velocidade quase todos os dias. Em 2005 foram 240 e este ano já foram apanhados 53 aceleras.
PUB
EM BAIXO:


COMENTÁRIOS

PUB
Repórter TVI: tratam estas crianças como "Cidadãos de Segunda"

Dezenas de pedidos de subsídios para crianças e jovens com graves problemas físicos, psicológicos e cognitivos estão a ser recusados todos os meses. Há crianças diagnosticadas com vários problemas do foro psicológico que estão a ser convocadas para se apresentarem a juntas médicas compostas por estomatologistas, médicos de clínica geral ou especialistas em medicina do trabalho. O Bastonário da Ordem dos Médicos diz-se chocado e o Provedor de Justiça considera que os tribunais devem ter uma palavra a dizer