Sobre José Alpoim poderá dizer-se que «escreve pelos cotovelos», mediante tal produção literária ao longo da sua carreira. Este brasileiro, de origem nipónica e portuguesa, pode não ser conhecido no nosso país, mas granjeia um impacto mundial significativo, ostentando mesmo o epíteto de escritor mais prolífico do mundo. No extenso currículo surgem 1076 livros, o que é impressionante para alguém que se sente ainda com muita capacidade para continuar a criar (tem 61 anos de idade).

José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue nasceu em São Paulo a 22 de Julho de 1946, filho de mãe portuguesa e pai japonês. «A minha mãe era de Viseu, mas não fiquei com nenhuma ligação», conta em entrevista telefónica ao PortugalDiário, aproveitando para explicar logo de seguida que se considera admirador da literatura portuguesa, que lê com frequência: «Para mim, Eça é Deus.

Ryoki não tem mercado em Portugal, mas ainda considera ser possível penetrar num país onde a literatura policial tem crescente vontade de consumo. «Oficialmente não tenho qualquer livro publicado em Portugal. Existem dois títulos disponíveis, mas apenas nas versões importadas do Brasil», frisou, admitindo que, «por respeito», os livros «deveriam ser publicados em português de Portugal».

Um método imparável

Com formação em medicina, tendo a especialidade em cirurgia torácica, José Alpoim trocaria a medicina pela literatura em 1986. Num período de seis anos produziu mais de 90 por cento da sua obra: 999 livros. Em 1993 entraria directamente para o Livro de Recordes do Guinness, com a marca impressionante de mais de mil livros publicados no Brasil. «Tudo isso foi possível com muito trabalho e um método preciso, que me obrigava a ser muito disciplinado. No início escrevia livros de bolso, sobretudo policiais, com uma média de 128 páginas por livro. Agora, tenho um ritmo diferente, pois publico menos e livros de outro âmbito, mais longos», contou, explicando que «trabalhava doze horas por dia em frente ao computador».

Os temas são «muito diferenciados, desde policiais, histórias de samurais e até sobre o velho oeste, mas também os problemas actuais do mundo». No seu auge, detinha 95% do mercado de livros de bolso no Brasil, o que o levava a assinar muitas vezes com pseudónimos. Ainda assim, muitas editoras tiveram de fechar e o próprio Alpoim deixou esse tipo de livros. «Agora estou a pensar regressar e o objectivo é produzir oito livros por mês», revela, explicando que tem sempre «quatro ou cinco sinopses de livros na cabeça».

Esta mente prodigiosa sabe que os dias correm céleres e dificilmente conseguirá alcançar uma meta ainda mais ambiciosa: «É claro que pode aparecer outro louco a escrever tantos livros, mas acho que um louco assim não se encontra aí pelas esquinas. Se posso chegar aos dois mil livros? Acho que não vou ter tempo para isso, só se voltasse a escrever três por dia, como chegou a acontecer na minha fase de maior produção».

Variedade de oferta

O livro mil marcou a viragem na carreira de Ryoki. Com «E E Agora, Presidente?», decidiu começar a escrever romances, publicados sempre com o seu nome. Escreve sobre a vida, o dia-a-dia, situações sociais, histórias simples que sobressaltam as pessoas. Está mais tranquilo, vive no sul de Minas Gerais, em Gonçalves, onde existe um Brasil frio onde até pode nevar.

Entre as suas últimas obras estão «Saga», que conta a história de quatro gerações de uma família japonesa no Brasil (Editora Globo, 365 páginas) e «Vencendo o desafio de escrever um romance», destinado aos apaixonados por livros e os aspirantes a escritores (Summus Editorial, 176 páginas). Em breve será publicado «O Fruto do Ventre», com o mote «Um erro religioso, um erro histórico, um erro científico e o mundo continua sua trajectória» (Editora Record), em «mais de 500 páginas com muito suspense e acção».

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