O primeiro-ministro afirmou hoje que a conclusão da CRIL «é um momento histórico» para a área metropolitana de Lisboa e criticou os sucessivos atrasos na conclusão da obra pela qual os lisboetas esperaram durante 40 anos, com «severos prejuízos».

«A CRIL estava a converter-se num monumento à incúria, desleixo e indecisão», frisou José Sócrates, na cerimónia de assinatura do contrato de adjudicação da obra à construtora Bento Pedroso.

O primeiro-ministro destacou «os prejuízos severos» que o compasso de espera de quase 40 anos provocou à população da área metropolitana de Lisboa, em termos da qualidade de vida, mas também ao nível da «competitividade da região».

Na mesma cerimónia, o presidente da Câmara de Lisboa afirmou que a conclusão da CRIL, prevista para 2009, vai permitir à cidade «recuperar de um atraso de décadas» e reinventar a segunda circular, para que se transforme «numa avenida urbana».

António Costa frisou que esta obra, que irá servir dois milhões de pessoas, «é uma peça fundamental nas melhorias da rede viária lisboeta». Uma vez concluída, «o desafio será reinventar a segunda circular, para que passe de auto-estrada urbana, a avenida urbana», disse o autarca.

Costa comparou a segunda circular a uma espécie de «cicatriz que divide a cidade antiga e a cidade que nasceu a partir dos anos 70», referindo-se a zonas como Telheiras, a parte nova de Carnide e o Alto do Lumiar.

A conclusão da CRIL permitirá «definir novamente os verdadeiros limites da cidade», frisou António Costa, destacando que a obra permite «a requalificação urbana de um eixo particularmente degradado».

A conclusão do troço final da CRIL permitirá desviar do eixo norte-sul 40 mil carros por dia e outros 12 mil da calçada de Carriche, segundo uma apresentação das Estradas Portugal, divulgada hoje na cerimónia de assinatura do contrato.

Segundo o presidente da EP, António Laranjo, «as melhorias de eficiência» ao nível da rede viária permitirão retirar de circulação cerca de 4 mil carros por dia e reduzir em cerca de 10 mil toneladas as emissões diárias de CO2 na Grande Lisboa.