A JS apresentou esta quinta-feira um anteprojecto para legalizar o casamento entre homossexuais, mas a medida pouco altera o dia-a-dia de Teresa e Lena. Estão juntas há quatro anos e tentaram casar no passado dia 1 de Fevereiro. Não conseguiram e o seu advogado interpôs um recurso para que «a lei fundamental do país seja cumprida».

«Vamos até onde for preciso», garantiu Lena ao PortugalDiário, mesmo que «só casemos quando formos velhinhas», acrescentou. A hipótese de casarem fora de Portugal nem sequer é colocada porque se consideram «portuguesas» e, além disso, «por cá a união não seria reconhecida».

A relação de Teresa e Lena tornou-se, entretanto, conhecida de todos e há quem as aborde na rua. «Temos tido reacções opostas. Quem não nos conhecia tem mostrado simpatia pelo nosso caso e quem já nos conhecia deixou de nos falar», conta Lena ao PortugalDiário. E porquê? «Não percebemos», desabafa.

A mediatização da relação não mudou a sua vontade de lutar. «Antes pelo contrário», garante Lena. «Vamos até onde for preciso, vamos até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos». «Os partidos deviam decidir já. Não podem renegar a homossexualidade de tantos portugueses», defende Lena.

O facto de estarem agora mais expostas não assusta Lena, que garante continuar igual a si própria. Mas um tribunal parece ter já decidido contra o casal: Lena e Teresa são ambas mães. A filha de Lena vive com o casal, mas a de Teresa foi-lhe retirada, por ordem do tribunal, «por falta de condições morais». Ao PortugalDiário, Lena garantiu que «felizmente até hoje a minha filha não foi prejudicada de forma alguma».

Disposta a tudo, Lena garante ao Portugaldiário que ela e Teresa «não vão desistir».