A cantora Viviane afirmou que «o fado é o convidado principal» do seu novo álbum, «Dia Novo», que é editado esta semana.

«A sonoridade do álbum é essencialmente acústica, muito marcada pela guitarra portuguesa, com menos acordeão que nos anteriores e a introdução muito discreta de alguns "samplers", em uma ou duas canções, nomeadamente em "Do Chiado até ao cais", que é o single», disse a intérprete à Lusa.

Neste álbum a cantora conta com a participação de vários instrumentistas de guitarra portuguesa, designadamente Custódio Castelo e Luís Varatojo, com quem já tinha trabalhado em álbuns anteriores, e ainda Bernardo Couto, Ricardo Parreira, Ricardo Martins e Tó Viegas.

«O fado é o convidado principal do álbum, em que abordo também o universo da "chanson" francesa, que continua muito marcante e, desta forma, faço assim a minha sonoridade, em que sinto confortável a cantar», afirmou.

Entre as doze canções que constituem o álbum, Viviane recria «Comment te dire adieu», uma canção do repertório de Françoise Hardy, de 1968, numa versão de Serge Gainsbourg.

Esta não é a única incursão além-fronteiras. Viviane gravou também, da canadiana Lhasa de Sela, «Com toda palabra» e, do brasileiro Marcelo Camelo, «A outra».

«A canção com a versão do Gainsbourg, há muito que a queria fazer e achei que era o momento; as outras, gosto delas, quis dar a minha versão, e cabiam neste universo», disse.

Viviane assina, em parceria com Tó Viegas, a maioria das composições do disco, nomeadamente de todas as letras inéditas, contando pela primeira vez um poema de Tiago Torres da Silva e outro de Pierre Aderne, respetivamente «Plenos pulmões» e «Pomar».

José Luís Peixoto é um autor reincidente nos trabalhos de Viviane, de quem neste CD canta «Dia novo». Outro autor é Fernando Cabrita, de quem canta «Vai mole amanhã» e «Poema ao viúvo jovem».

Viviane, além das composições, assina três letras: «Recomeçar», «Trajei-me de branco» e «Era a voz que salvava».

O tema «Recomeçar» aborda a temática «da necessidade atual de emigrar» disse a cantora, salientado que não é alheia a este fenómeno, pois os seus pais emigraram para França, onde ganhou o gosto pela «sonoridade da chanson».

À Lusa, a intérprete, que se estreou há 24 anos, no grupo «Entre Aspas», afirmou que este é «um álbum de histórias, não só pessoais como da cidade».

Além do canto, Viviane toca melódica e flauta, e os outros músicos que a acompanham neste CD são Rui Freire e Sónia Cabrita (bateria), Arturo Serra (vibrafone), Ruca Rebordão (percussões) e Pedro Gil (guitarra elétrica).