O festival de música de Vilar de Mouros regressa entre 31 de julho a 3 de agosto de 2014, após oito anos de interregno, passando a ser organizado por uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), escreve a agência Lusa.

«O festival de Vilar de Mouros, quando surgiu em 1971, foi pioneiro em Portugal. Agora, volta a ser pioneiro ao estar associado a uma causa solidária», explicou a presidente da Câmara de Caminha, Júlia Paula Costa, sobre o novo modelo de organização, que entrará em vigor no próximo ano prolongando-se até 2017.

Esta organização será assumida através de um acordo entre a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, proprietária dos terrenos onde se realiza o festival, e a Associação dos Amigos dos Autistas (AMA).

O regresso do festival prevê, como explicaram os novos organizadores, «uma ampla selecção de artistas nacionais e internacionais», seguindo uma linha artística «que se distinguirá pela variedade de estilos musicais e pela aposta em novas bandas».

«Contratamos um grupo de profissionais com experiência e as bandas vão começar a ser apresentadas a partir de setembro, através de festas que vamos fazer um pouco por todo o país e em Espanha, para desvendar a dinâmica do festival», explicou Marco Reis, presidente da AMA.

Para além «de um forte e variado cartaz musical», o renovado «Woodstock português» contará em 2014 com actividades paralelas, como teatro, artesanato, animação ou gastronomia, entre outras.

O primeiro festival de Vilar de Mouros realizou-se em 1971 e contou com a presença de Elton John e Manfred Mann, mas o segundo só aconteceu em 1982, com U2, The Stranglers e Echo & the Bunnymen, entre outros.

Depois de novo interregno - a terceira edição só se realizou em 1996 -, a música fez-se ouvir naquela aldeia, consecutivamente, entre 1999 e 2006.

No verão de 2007, a um mês da sua realização, o festival foi cancelado por decisão da Junta de Freguesia e da promotora PortoEventos, após dificuldades de entendimento entre os vários parceiros envolvidos na organização.

«A história do festival também é feita de longos períodos de interregno, sem que isso tenha posto em causa o festival, bem pelo contrário. Regressou sempre com mais força e maior dimensão», recordou Júlia Paula Costa.

Após reuniões «com várias produtoras», acrescentou, «só agora foi possível encontrar um modelo que satisfaça a todas as partes e que preserve a identidade do festival», acordo que também envolve a autarquia de Caminha.

«A AMA dá a garantia de ser uma instituição competente e dá um cariz solidário ao festival de Vilar de Mouros, que o irá distinguir dos demais festivais de verão, claramente comerciais», sublinhou a autarca.