Carlos do Carmo venceu um Grammy na categoria «Lifetime Achievement», o galardão mais prestigiado e destinado a premiar a carreira de sucesso de artistas conceituados, segundo confirmou a TVI.

Grammy «enche ainda mais de orgulho» Lisboa

O fadista português foi ontem informado pelo próprio presidente da Latin Recording Academy e passa assim a ser o primeiro português a conquistar o conceituado galardão. «O Board of Trustees da Latin Academy of Recording Arts and Sciences [LARAS] decidiu, por unanimidade, atribuir a Carlos do Carmo o «Lifetime Achievement Award», galardão que distingue a obra das grandes referências do panorama musical internacional», indica a produtora do fadista em comunicado.

O prémio deverá ser entregue a Carlos do Carmo a 19 de novembro de 2014, no Hollywood Theater da MGM, em Las Vegas.

Carlos do Carmo tem sido distinguido ao longo da carreira com vários galardões, entre eles, o Prémio Goya da Academia de Artes Cinematográficas de Espanha, pela interpretação de «Fado da Saudade».

Em comunicado, a academia norte-americana considera Carlos do Carmo «um dos maiores fadistas do seu tempo», referindo que é filho da «lendária fadista Lucília do Carmo, que teve um papel importante na sua carreira, que se prolonga há mais de 50 anos». A academia aponta Carlos do Carmo como uma das «mais emblemáticas vozes da música portuguesa».

No mesmo texto a LARAS refere que o fado tem sido o «cerne da sua música, mas a sua forma distintiva de interpretar, o seu timbre, e a sua afinidade com a canção francesa e a bossa nova brasileira» permitem-lhe «criar um estilo inconfundível».

Do vasto repertório do fadista, a LARAS cita os fados «Duas lágrimas de orvalho», «Lisboa menina e moça» e «Canoas do Tejo», e discrimina alguns palcos de referência que o fadista pisou, designadamente o Olympia, em Paris, a Alter Oper, em Frankfurt, e o Royal Albert Hall, em Londres.

Carlos do Carmo «desempenhou um papel fundamental na candidatura do fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade através dos seus inúmeros concertos, gravações e a participação, em 2007, no filme «Fados», de Carlos Saura», lê-se na mesma nota.

O Lifetime Achievement Award já distinguiu entre, outros nomes, o brasileiro Roberto Carlos, Mercedes Sosa, Rocío Durcal, Chavela Vargas, Alberyo Cortez, Linda Ronstadt, María Dolores Pradera, Toquinho, Hebe Camargo, Juan Carlos Calderón e Luz Casal.

Segundo a produtora do fadista, em novembro está prevista a estreia de um documentário sobre a carreira do criador de «Os Putos».

O fadista de 74 anos celebrou no ano passado os 50 anos de carreia. A discografia desde 1970 até ao ano passado, foi editada em CD, numa coleção celebrativa do seu cinquentenário artístico.

O primeiro álbum desta série inclui entre outros, o primeiro grande êxito do fadista, «Bairro Alto», e ainda temas que perduram como «Vim para o fado e fiquei», «Não se morre de saudade», «Já me deixou» e a recriação de «Gaivota», do repertório de Amália Rodrigues.

Filho da fadista Lucília do Carmo, Carlos do Carmo gravou o primeiro disco, um EP, em 1963, com o quarteto de Mário Simões.

Em novembro de 2013 e ainda como marco dos 50 anos de carreira, Carlos do Carmo, foi entrevistado pelo jornalista José Alberto Carvalho. «Cada fado é uma história, se as palavras não foram boas, a história não tem nenhum significado», disse Carlos do Carmo.

Após 50 anos de carreira, o fadista admite que um dos momentos mais marcantes da carreira foi a sua passagem pela sala Olympia, em Paris. O outro momento foi sem sombra de dúvida o 25 de Abril onde respirou finalmente a liberdade sem qualquer demagogia.