O maestro e compositor António Vitorino d'Almeida considerou esta terça-feira «mais do que justa» a distinção do fadista Carlos do Carmo com um «Lifetime Achivement Grammy», um galardão que premeia carreiras de referência no panorama internacional.

«É mais do que justo e dá-me imensa alegria», disse à agência Lusa António Vitorino d'Almeida, que já acompanhou o fadista ao piano e é autor de alguns temas do seu repertório, nomeadamente o «Fado do Campo Grande».

Para o maestro, Carlos do Carlos sempre mereceu uma consideração internacional: «Agora que a justiça foi feita é mais uma razão para me congratular com isso».

E, acrescentou, «nos tempos que vão correndo, poucas coisas nos dão tanta alegria como a justiça».

Vitorino de Almeida sublinhou que esta distinção vai também valorizar o fado e os artistas portugueses.

«Carlos do Carmo é essencialmente um fadista e receber um prémio significa que, indireta ou diretamente, fala-se no fado e valoriza-se o fado», sustentou.

Para Portugal também «é sempre bom que os seus artistas sejam reconhecidos».

«Mesmo que cá não os tratem bem, pelo menos que sejam devidamente reconhecidos internacionalmente», sublinhou o maestro.

Carlos do Carmo, a celebrar 50 anos de carreira, torna-se o primeiro artista português a receber um «Lifetime Achivement Grammy».

O galardão, que será entregue no dia 19 de novembro no MGM Grand Garden Arena em Las Vegas, no estado norte-americano do Nevada, distingue as carreiras que constituíram contribuições criativas de excecional importância artística.

Em comunicado, a Latin Academy of Recording Arts and Sciences considera Carlos do Carmo, 74 anos, «um dos maiores fadistas do seu tempo», referindo que é filho da «lendária fadista Lucília do Carmo, que teve um papel importante na sua carreira, que se prolonga há mais de 50 anos».