O trompetista, cantor e compositor Hugh Masekela morreu esta terça-feira, aos 78 anos, vítima de cancro na próstata. Segundo um comunicado divulgado pela família, citado pela CNN, o músico morreu "em paz e junto dos familiares", em Joanesburgo, na África do Sul. 

O "pai do jazz sul-africano", como foi ficou conhecido, nasceu em 1939 em Witbank, África do Sul, e é autor de inúmeros conhecidos temas, entre eles o Grazing in the Grass e Up and away, que se tornaram num êxito a nível internacional. 

Mas o músico também ficou conhecido por escrever canções interventivas, como Soweto Blues ou Bring Him Back Home. Esta última dedicada a Nelson Mandela quando se encontrava preso, mas que acabou por ser banida pelo regime do apartheid - um regime que negava aos negros da África do Sul direitos sociais, económicos e políticos. 

Com apenas 21 anos, o músico foi obrigado a deixar África do Sul, vivendo durante 30 anos em exílio. Mais tarde, foi encorajado por lendas como Dizzy Gillespie, uma das maiores figuras do jazz moderno, e Louis Armstrong - considerado "a personificação do jazz" - a desenvolver o seu próprio estilo musical. 

Em 1967, apresentou-se no Festival Pop de Monterey, na Califórnia, ao lado de Janis Joplin, Otis Redding, Ravi Shankar, The Who e Jimi Hendrix. Um ano depois, a sua música já era conhecida e um sucesso mundial. 

 

O presidente sul-africano Jacob Zuma referiu que a morte de Masekela era "uma enorme e incomensurável perda para a indústria da música e para o país em geral", salientando que "a sua contribuição para a luta pela libertação nunca será esquecida".