As composições dos The Beatles vão ficar disponíveis quinta-feira nos vários serviços musicais de 'streaming' - Spotify, Apple Music, Google Play, Tidal e Amazon Prime Musica -, noticia hoje a imprensa britânica.

O negócio envolve os direitos das 224 canções oriundas dos 13 álbuns de originais lançados no Reino Unido pela banda de Liverpool entre 1963 e 1970, bem como as coletâneas essenciais, incluindo Past Masters, e o catálogo vai também estar disponível no Deezer, Microsoft Groove, Napster and Slacker Radio.
 

"Em termos digitais, os Beatles chegaram sempre tarde à festa. Chegaram ao iTunes em 2010, cinco anos depois de o iTunes Music Store ter começado a ganhar visibilidade", disse Chris Cooke, cofundador do portal de notícias da indústria musical CMU, salientando que, desta forma, o legado da banda vai perdurar "ainda mais".


"Esperávamos que fizessem provavelmente um acordo exclusivo para disponibilizar a música apenas num serviço de «streaming», mas parece que, em vez disso, irão estar em todo o lado a partir de quinta-feira. Isso significa que aceitaram o facto de que o «streaming» é uma parte muito importante da indústria musical", acrescentou.

Os The Beatles, que se separaram oficialmente em abril de 1970, integravam John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr e, ao longo da carreira, conseguiram colocar 17 "singles" no primeiro lugar das tabelas de música britânicas.

Ainda hoje, e apesar de a banda ter terminado há 45 anos, o catálogo musical continua muito rentável e as sucessivas reedições ou coletâneas têm tido bastante sucesso nas tabelas de todo o mundo, sendo disso prova a mais recente edição de "Beatles 1", posto à venda em novembro último.
 

"Há uma razão bastante simples para que o catálogo dos Beatles tenha demorado a aderir aos serviços de 'streaming': os editores não queriam fazer nada para poder prejudicar o potencial de vendas das reedições ou de retrospetivas. É um catálogo muito lucrativo", afirmou Mark Sullivan, investigador de comunicação na empresa Midia.


"Esperaram até que o mercado ganhasse escala, permitindo tirar disso partido para fazer um bom negócio. É uma grande ação de marketing, uma vez que ajuda a dar conta de que as plataformas contam afinal com toda a música do mundo", sublinhou.

Os The Beatles, como entidade empresarial, foram notoriamente lentos a adaptar-se às novas tecnologias.

Foram precisos cinco anos para que os álbuns fossem editados em CD.

No Reino Unido, o número de canções descarregadas dos vários serviços de "streaming" atingiu este ano os 25 mil milhões, mais do que os 13,7 mil milhões de 2014, segundo os dados oficiais.

Segundo a imprensa britânica, vai ser "interessante" ver como os Beatles conseguirão competir contra os "likes" de, por exemplo, Justin Bieber, cujos últimos "singles" são descarregados cerca de seis milhões de vezes por semana.

Quando a obra dos The Beatles fiocu disponível no iTunes, a banda somou 10 entradas no Top 100 - no entanto, a maior entrada, com Hey Jude, só atingiu o número 40.

O anúncio da chegada dos Beatles surgiu numa altura em que um conjunto de grandes nomes da música - Neil Young, Prince e Thom Yorke (dos Radiohead), entre outros - puseram em causa o interesse aos serviços de "streaming", em que o caso mais evidente é o de Adele.

O novo álbum, "25", já vendeu mais de sete milhões de cópias sem que tenha aparecido em qualquer plataforma de 'streaming', onde apenas está disponível o 'single' Hello.

"Acredito que a música deve ser um acontecimento. Não uso o 'streming'. Eu compro a minha música. Posso fazer um 'download', mas também compro uma cópia em CD só para contrariar quem não a compra", disse Adele à revista Time.