Notícia atualizada

O músico João Ribas, vocalista dos Tara Perdida, morreu este domingo em Lisboa aos 48 anos, vítima doença respiratória, disse à agência Lusa fonte da editora Sony Music.

O músico, ligado ao movimento punk português desde os anos 1980, tinha sido internado no início do mês com uma infeção respiratória e na altura a banda teve que cancelar um concerto em Lisboa.

Os Tara Perdida, formados em Lisboa em 1995, editaram no ano passado o álbum «Dono do mundo», depois de um interregno de cinco anos.

Além de João Ribas, nascido em Lisboa a 06 de maio de 1965, da banda punk rock fazem parte Nuno Espírito Santo, Pedro Rosário, Tiago e Rui Costa.

Antes de formar os Tara Perdida, João Ribas integrou outras bandas do universo punk rock, nomeadamente os Ku de Judas e os Censurados e teve também uma banda de tributo aos Ramones, intitulada Kamones.

Em 2009, ano em que os Tara Perdida atuaram pela primeira vez no Coliseu de Lisboa, João Ribas rejeitava, em declarações à Lusa, qualquer ideia de ser um ícone da cena punk nacional.

«Não tenho paternalismos, falo com este pessoal [mais novo] como falo com a malta da minha idade. Não sou pai de ninguém», assegurava.

O músico garantia que, em mais de 25 anos dedicados ao punk, a sua postura na música era a mesma, apesar de ter outras responsabilidades e um maior cuidado na agressividade.

«Acho que continuo a ser a criança que sempre fui, continuo um Peter Pan. Claro que há responsabilidades, mas ao nível musical sempre fui assim. Continuo a dizer que o punk é eterno, as regras estão feitas e não mudam», disse em 2009.

Apesar da fidelidade ao passado e ao punk, João Ribas admitiu que a idade acarretou uma evolução: "Cresces e crias o lado filosófico da situação e acho isso normal. A nível de letras é isso que estamos a fazer, numa onda mais cool. Até porque não somos uma banda política. A minha política é o trabalho".

Para o músico, o punk português em 2009 está de boa saúde, até porque «as bandas estão mais preocupadas em produzir os discos como deve ser».

«Há vinte anos não havia tantas condições, era mais difícil e havia desleixo das bandas em fazer essas coisas. Hoje em dia, o pessoal preocupa-se em fazer um bom som, a ensaiar bem e com uma atitude do caraças», conta a Lusa.