Foi com fogo-de-artifício e uns quantos trunfos na manga que os The Killers conquistaram a plateia que os esperava já depois da 01h00 da manhã no Super Bock Super Rock. Segundo a organização do festival, passaram 28 mil pessoas pelo recinto neste segundo dia de concertos e a maior assistência foi exatamente para a banda de Las Vegas liderada por Brandon Flowers.

Tal como em 2009, no Restelo, e a solo há dois anos no Meco, o vocalista dos The Killers voltou a restringir a recolha de imagens por parte da imprensa. O cuidado com o visual é levado a níveis pouco comuns e o único fotógrafo autorizado é o da própria banda (e as fotos prometidas ainda não nos chegaram).

A hora e meia de concerto serviu para matar as saudades dos fãs portugueses que já há uns bons anos não punham os olhos em cima de uma banda que continua a dar tudo o que tem em palco. O último disco, «Battle Born», poderá não ter deslumbrado nem transportado os The Killers a novos patamares de sucesso, mas ao vivo o grupo sabe exatamente que botões carregar para oferecer um bom espetáculo.

«Somebody Told Me» e «Spaceman» foram os temas de abertura que garantiram um animado arranque. Mais tarde, «Human», um dos singles-chave para os The Killers, resgatado a 2008, mostrou continuar a ser um dos preferidos dos fãs.

O rock com aspirações a grandes estádios e arenas (que os Killers esgotam por todo o mundo) assentou que nem uma luva ao público do festival, heterogéneo q.b. e atento aos singles mais badalados. «Jenny Was a Friend of Mine» e «When You Were Young» deixaram em ebulição a plateia, mas foi em palco e no céu que se deram as explosões pirotécnicas.

«Depois disto tudo, o que mais podem querer de nós?», perguntou Brandon Flowers. Era a deixa para «Mr. Brightside», outro peso-pesado na colheita de singles de sucesso dos Killers, feita para cantar, dançar, e fechar concertos em alta.

Com a corda toda estiveram também os Kaiser Chiefs, que começam, inevitavelmente, a ficar conhecidos pelas peripécias de Ricky Wilson. O ano passado, o vocalista experimentou o slide durante o concerto no Rock in Rio Lisboa, e este ano repetiu a experiência de «atacar» uma banca de venda de cerveja, como já havia feito em 2011 no Optimus Alive.

Desta vez foi do topo da banca que Wilson brindou ao fãs - um toque extra de animação ao já enérgico «Oh My God», que terminou a atuação da banda de Leeds. Para trás ficava um concerto que voltou a deixar transparecer que as criações mais recentes dos Kaiser Chiefs, incluindo a nova «Misery Company», são bem menos interessantes ao vivo do que as festivas «Never Miss a Beat», «Ruby» ou «I Predict a Riot».

Fica também a ideia de que, de qualquer forma, Ricky Wilson é um agitador de multidões tal, que quase nem precisaria de música alguma para pôr vários milhares de pessoas a gritar em uníssono.

Foi precisamente esse tipo de comunhão entre banda e público que faltou ao concerto anterior, o dos Tomahawk. Ficou claro que a grande maioria do público não fazia a mais pequena ideia quem eram Mike Patton, Trevor Dunn, Duane Denison e John Stanier.

E, apesar da boa música, e do português/português brasileiro/castelhano falado incessantemente por Patton, os Tomahawk não se livraram de ter pessoas na primeira fila a bocejar.

O garage rock dos Black Rebel Motorcycle Clube, a abrir o palco principal, e o R&B funky de Miguel, a piscar o olho a Prince e que fechou o Palco EDP, também mereceram destaque neste segundo dia do Super Bock Super Rock.

Este sábado, o festival encerra com as atuações dos Queens of the Stone Age, Gary Clark Jr, Miss Lava e The Quartet of Woah!, entre outras.