A música “Despacito” é um dos grandes sucessos de 2017. Em seis meses, a música dos porto-riquenhos Luís Fonsi e Daddy Yankee é um dos temas mais ouvidos do Youtube e do Spotify. Mas qual será a razão para todo este êxito?

Estudos na área da neurociência e da psicologia encontraram elementos comuns neste tipo de músicas, que apelidaram de “músicas pastilha elástica”, como o “Despacito”, que as tornam canções de sucesso.

A música ativa as áreas do cérebro relacionadas com sons e movimentos, mas também as áreas associadas às emoções”, explicou, à BBC, Jessica Grahn, cientista da Universidade do Oeste de Ontario, no Canadá.

Segundo Jessica, as músicas que agradam a um maior número de pessoas são aquelas que geram uma maior comunicação entre as áreas do cérebro relacionadas com o som e as áreas relacionadas com as emoções.

Quais os ingredientes para uma música de sucesso?

O primeiro aspeto importante para que um tema seja um êxito é o ritmo. Quando uma canção tem uma batida fácil de acompanhar, como o “Despacito”, aumenta a capacidade da zona do cérebro relacionada com o movimento. Isto acontece mesmo que uma pessoa ouça a música e permaneça quieta.

Segundo Jessica Grahn, ritmos familiares e previsíveis funcionam como que uma recompensa para o cérebro, porque é agradável que a música se desenvolva como pensámos que se iria desenvolver.

O ideal é, contudo, incluir um elemento diferente, que torne a música um pouco menos previsível.

Trata-se de usar a batida, mas fazê-la mais interessante com alguma novidade. Fazer a canção interessante, mas sem mudar muito o que esperamos ouvir”, referiu a cientista.

Nahúm García, um produtor de música espanhol, acredita que essa é uma das razões para o sucesso de “Despacito”. Um dos segredos está relacionado com o facto do ritmo da música ser quebrado antes do refrão. À medida que os músicos cantam “Des-Pa-Cito”, há uma pausa na canção, que origina uma quebra no ritmo.

Vocês riem-se de “Despacito”, mas a maneira como o ritmo quebra antes do refrão é uma genialidade. O cérebro dá conta que houve uma pausa incomum e isso chama a atenção”, escreveu o produtor.

“Músicas pastilha elástica”

Psicólogos e cientistas definem “músicas pastilha elástica” como aquelas canções que são repetitivas e pouco complexas, no que diz respeito ao ritmo, letra ou ambos. Outra característica deste tipo de músicas é o facto de conterem elementos inesperados, como um compasso irregular ou um padrão de melodia pouco usual.

"Despacito é animada, simples, repetitiva e tem um ritmo pegajoso”, afirmou James Kellaris, compositor e professor na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, à BBC.

Para James Kellaris, o videoclipe atraente e a grande exposição mediática da música são outros dos elementos que tornaram o tema de Luís Fonsi num sucesso.