O álbum de Amália Rodrigues “Someday”, que é editado esta sexta-feira, inclui um inédito e sete versões inéditas, um CD que vem na sequência da edição crítica da obra da fadista iniciada com "Amália no Chiado", em novembro de 2014.

Segundo Frederico Santiago, coordenador da edição discográfica, "Someday" inclui o alinhamento do álbum “Amália na Broadway”, editado em vinil em 1984, mas nunca em CD em Portugal.

A edição em CD é constituída por 17 faixas, entre as quais o inédito absoluto, um excerto de "The man I love", de George Gershwin e Ira Gershwin, e ainda versões inéditas de "Summertime", "Can't help loving dat man" e "Long ago and far away", e ainda das portuguesas “Ai Mouraria”, “Solidão”, “Lisboa antiga” e “Coimbra”.

No outono de 1965, Amália Rodrigues gravou vários temas em inglês como “Summertime”, “Who will buy”, “The nearness of you”, entre outros, com uma orquestra sinfónica dirigida pelo maestro Norrie Paramor, que fez também os arranjos musicais.

No outono de 1965, Amália Rodrigues gravou vários temas em inglês como “Summertime”, “Who will buy”, “The nearness of you”, entre outros, com uma orquestra sinfónica dirigida pelo maestro Norrie Paramor, que fez também os arranjos musicais.

“Estas sessões foram as primeiras em estéreo feitas por Amália, e as oito canções são aqui apresentadas pela primeira vez, no alinhamento original da bobine”, disse à Lusa Frederico Santiago, que coordenou a edição discográfica, e revelou que “o passo seguinte da edição de Amália será com os três discos que gravou de folclore”.

“Existe material inédito e disperso que será reunido pela primeira vez”, adiantou à Lusa.

Às oito canções em inglês de "Someday", entre as quais “Blue moon” e "I can't begin to tell you", e além das versões inéditas de “Ai Mouraria”, “Solidão”, “Lisboa antiga” e “Coimbra”, gravadas com orquestra nestas sessões, são também incluídos "'takes’ alternativos e ensaios inéditos, como o excerto de ‘The man I love’, que não chegaria a gravar completo”, disse Frederico Santiago, que anteriormente coordenou a edição em CD da festa de homenagem ao fadista e apresentador Filipe Pinto, “Tivoli’62”.

Frederico Santiago explicou à Lusa que “a primeira palavra da canção ‘The man I love’, e o adiar da edição original, que só aconteceu passados 19 anos”, lhe inspirou o título, assim como “a belíssima fotografia da capa, tirada por Eduardo Gageiro nas sessões de gravação do disco, [que] nos leva a essa expressão: qualquer dia...”, a tradução de Someday.

O álbum “Amália na Broadway” foi editado em 1984, no ano em que Amália Rodrigues, sentindo-se doente, se refugiou num hotel de Nova Iorque.

“Numa carta desse ano, de 1984, escrita do quarto de hotel em Nova Iorque onde se refugiou, Amália desejou a sua edição: ‘também gostava que continuassem na mesma, a seguir com o disco das canções americanas’, escreveu Amália”, contou Frederico Santiago.

A atual edição em CD conta com um texto do historiador Vítor Pavão dos Santos, autor de uma biografia da fadista e que este ano foi distinguido com o Prémio Amália Rodrigues.