Entre a fúria de viver de Iggy Pop, o banho de multidão dos Capitão Fausto e a ligação dos Massive Attack ao mundo real, o festival Super Bock Super Rock, em Lisboa, contou na sexta-feira com 18.000 pessoas.

Os Massive Attack já ultrapassaram a dezena de concertos dados em Portugal, mas em cada um, em particular nos mais recentes, há sempre uma ligação direta à realidade, com o grupo britânico a assumir um ativismo social sobre o mundo atual.

“Dedicado aos trágicos e incompreensíveis acontecimentos de Nice”, lia-se no ecrã gigante que enquadrava Robert Del Naja e Grant Marshall em palco, num ambiente de negrume e soturnidade.

Ao longo da atuação, durante a qual interpretaram, por exemplo, “Inertia Creeps”, “Risingson” e “Safe from harm”, no ecrã aparecia quase um boletim noticioso sobre o 'Brexit' (saída do Reino Unido da União Europeia), o autoproclamado Estado Islâmico, a Turquia ou futebol e celebridades.

Com direito a um 'encore', no qual recuperaram “Unfinished Simpathy”, do início de carreira, o público foi aplaudindo à medida que ia lendo em cabeçalho e em repetição: “Se suis Charlie-Orlando-Istambul-Bruxelas-Paris-Nice-Bagdad”.

Em contraste, momentos antes, no mesmo palco, o músico norte-americano Iggy Pop protagonizou uma descarga de rock, frenético e furioso, e com direito a um banho de multidão e várias descidas do palco para cumprimentar a plateia.

Iggy Pop praticamente ignorou o último álbum, “Post pop depression”, e desfiou as músicas que fizeram dele, a solo, e com os Stooges, um dos ícones do punk rock: “I wanna be your dog”, “Lust for life” e “Nightclubbing” fizeram parte do alinhamento.

Ainda Iggy Pop atuava na Meo Arena e já o canadiano Mac DeMarco subia ao palco junto à pala do Pavilhão de Portugal, para ser recebido por um público fiel, que o acompanhou em todas as músicas com coros, palmas e gritos.

Nas horas anteriores, naquele palco, o burburinho permanente de pessoas a conversarem não foi suficiente para abalar a atuação dos Rye.

O facto de atuarem à mesma hora que Iggy Pop não prejudicou os Capitão Fausto, que conseguiram encher o espaço e as escadarias da Meo Arena em frente ao palco Antena3.

“Nós somos os Iggy Pop”, disse o baixista no início do concerto, que teve direito a ‘mosh’ e ‘crowd surfing’ nas primeiras filas. Ao longo de cerca de uma hora de espetáculo, a banda tocou temas dos três álbuns que já editou: “Gazela”, “Pesar o Sol” e “Capitão Fausto têm os dias contados”.

A dada altura, o público gritou, mais uma vez, aquela que poderá bem tornar-se na frase deste festival – “E foi o Éder que os f****”.

Lotação esgotada para ver De La Soul e Kendrick Lamar hoje

E no encerramento de mais um Super Bock Super RocK, festival esgotado num dia maioritariamente dedicado ao hip-hop, com os norte-americanos Kendrick Lamar e De La Soul como cabeças de cartaz.

O rapper, que atuou em Portugal em 2014, regressa agora com mais dois álbuns na bagagem: “Tom pimp a butterfly”, vencedor do Grammy Álbum do ano em 2015, e “Untitled Unmastered”, editado de surpresa em março deste ano.

Kendrick Lamar fecha os concertos na Meo Arena, onde atuam também os De La Soul, banda que em 2017 comemora 30 anos de carreira. Em agosto editam novo álbum, “And the Anonymous Nobody”, o primeiro em mais de uma década, a editar em agosto. No entanto, este não será o prato principal do concerto, disse à Lusa um dos elementos do trio, David Jolicoeur, conhecido como Trugoy The Dove.

Pelo Meo Arena passam também os portugueses Orelha Negra, que na sexta-feira divulgaram um novo 'single', “Parte de Mim”, do novo álbum da banda, sem data prevista de edição, e do qual já tinham também disponibilizado “A Sombra”.

O hip-hop português estará representado por Capicua, que atua no palco debaixo da pala do Pavilhão de Portugal, Mike El Nite e Slow J, com atuações marcadas para o palco Antena 3.

No cartaz para hoje há mais nomes da música nacional: Salto, Moullinex (com um espetáculo de tributo a Prince, que morreu em abril), Batida, DJ Ride e GNR (que irão tocar na íntegra “Psicopátria”, álbum editado há 30 anos).

Hoje no SBSR atuam ainda os norte-americanos Fidlar, a norte-americana Kelela, os espanhóis The Parrots e o DJ alemão Daniel Haaksman.

Num recinto com capacidade para 20 mil pessoas, além dos concertos, há iniciativas de arte urbana, em parceria com a plataforma de arte contemporânea Underdogs.

Hoje ainda há um 'workshop' para pintura de murais dentro do Meo Arena, com a participação de Kruella d’Enfer, Gonçalo MAR e Halfstudio.

A parceria com a Underdogs inclui uma loja temporária no Pavilhão de Portugal, onde estão expostas e à venda obras de artistas nacionais e estrangeiros.

Este ano, a organização fez ajustes no recinto, com uma nova orientação da entrada do festival e com o alargamento da zona de restauração para o Pontão das Tágides, uma língua de passeio junto ao rio e debaixo da linha do teleférico.

A organização recomenda o uso de transportes públicos, nomeadamente metro e comboio, no acesso ao festival.

Hoje, o céu em Lisboa estará limpo e as temperaturas em irão variar entre os 21º e os 37º graus centígrados.