Diz-se que "menos é mais", mas não no caso de Katy Perry. A cantora pop norte-americana regressou a Portugal ao fim de sete anos, para se estrear no palco principal do Rock in Rio, como cabeça de cartaz, numa digressão onde leva a conhecer o mais recente álbum "Witness".

Apostou em bailarinas de fatos arrojados, num guarda-roupa irreverente, em andores que se transformaram em tudo, desde flamingos a aliens ou televisões. Uma atuação de uma hora e meia, onde o Palco Mundo se mostrou demasiado pequeno.

Katy Perry assumiu o palco e aproveitou-o como melhor sabe fazer. Mostrou que mais do que uma cantora, é uma entertainer, e soube interagir com o público - fazendo-o até em português - da forma mais extravagante e improvável de sempre. Trazia vestida uma camisola com a letra das músicas que cantava em seguida, começando pelo êxito "Hot N Cold".

A terminar o mês das marchas de orgulho LGBT, Katy Perry não perdeu oportunidade para introduzir um dos seus principais êxitos lançados em 2008: "I Kissed a Girl" e levou ao rubro os fãs quando se abraçou a uma bandeira LGBT oferecida pelo público.

Sem grandes surpresas em palco, a norte-americana terminou a atuação de uma forma, também ela, pouco improvável, com fogo-de-artifício dentro e fora do palco, ao som de "Firework", do álbum Teenage Dream.

Katy Perry liderou o espetáculo, mas não a voz

Jessie J foi a surpresa da noite. Habituada ao público português, a cantora britânica regressou em grande e não desiludiu. Foi a responsável por animar milhares de portugueses destroçados com a eliminação de Portugal no Mundial e não demorou muito a consegui-lo.

Chegou abraçada à bandeira portuguesa, num espetáculo que valeu por si só, sem grandes efeitos especiais ou adereços. A presença de Jessie J foi suficiente para preencher o palco e causar arrepios no público, ora pela voz afinada, ora pela lição de vida que transmitiu.

Ao final de cada música, Jessie parava para falar com a plateia, de forma mais ou menos séria, mais ou menos emotiva. Quis passar mensagens de força e esperança, ensinando a não desistir perante as adversidades ou obstáculos da vida e falou em nome próprio.

Aos nove anos, foi-me diagnosticado um problema de coração. O meu avô morreu com a mesma doença. Não desistam. Não se escondam atrás de coisas que não são. Sejam vós próprios, por favor, sejam sempre fiéis ao que são".

Um testemunho que inspirou a nova música "Easy on me", do novo álbum "Rose", e deixou os fãs em lágrimas. Jessie J mostrou ter um coração tão grande ou maior do que o que tinha em palco, o único adereço presente em toda a atuação.

Ivete Sangalo, a recordista do Rock in Rio Lisboa

Ivete Sangalo dispensa apresentações. Presença assídua no parque da Bela Vista, leva consigo um recorde inédito neste festival: em oito edições, a cantora brasileira soma nove atuações, isto porque, em 2012, atuou por duas vezes, ao substituir Ariana Grande, que cancelou o concerto.

Ainda assim, os festivaleiros parecem não se cansar e querem mesmo continuar a vê-la nas próximas edições. Ivete é já considerada a rainha do Palco Mundo. Ninguém tem a capacidade de fazer o público saltar, dançar e cantar como ela. A brasileira consegue mesmo "levantar a poeira" e sim, toda a gente tirou o pé do chão.

Há quem diga que, nas senhoras, a idade não se revela. Neste caso, não se aplica. Aos 46 anos, Ivete parece ter uma energia inesgotável, digna de uma jovem de 20 anos. Se dúvidas houvesse, a brasileira esclareceu-as, ao mostrar ao público singles recentes como "No Groove", mas também outros êxitos mais antigos que fizeram antecipar o carnaval na Bela Vista.

Como se não bastasse, a brasileira surpreendeu os fãs com uma convidada especial e levou a plateia ao rubro quando Daniela Mercury sobe ao palco para juntas cantarem "O Canto da Cidade".

Acabou a atuação de bandeira do Brasil às costas, mas foi a Portugal que desejou sorte. A sorte que tanto nos faltou.

A música deu lugar ao futebol

Milhares de festivaleiros vestiram-se a rigor para apoiar a Seleção Nacional nestes oitavos de final do Mundial de futebol. Estavam confiantes nas escolhas de Fernando Santos e faziam apostas sobre possíveis resultados, que acabavam sempre favoráveis para o nosso lado, mas faltou sorte. Portugal jogou para vencer, mas não conseguiu contornar o Uruguai, um adversário que ainda não tinha sofrido qualquer derrota.

Foi o adeus de Portugal ao Mundial de futebol, mas, na Bela Vista, o público reconheceu o esforço da equipa das Quinas e aplausos não faltaram no final do jogo.

O concerto mais curto do dia

Esta foi a estreia de Hailee Steinfield em Portugal, num concerto mediano e que durou pouco mais de meia hora. Começou morno, com problemas de som que revelavam algumas falhas na voz da cantora norte-americana de 21 anos.

Não conseguiu preencher o palco Mundo, apesar de se fazer acompanhar de uma banda e de um corpo de dançarinos misto. Cantou algumas músicas conhecidas do público, mas foi com "Capital Letters" - música que ganhou protagonismo no filme "As Cinquenta Sombras Livre" - que Hailee conseguiu obter alguma reação da plateia

Levanta-te, esta já é conhecida", ouvia-se.

O espetáculo foi começando a melhorar, à medida que iam surgindo músicas mais conhecidas como "Flashlight"  ou "Most Girls", mas não deixou de destoar dos restantes nomes que encerraram esta oitava edição do Rock in Rio Lisboa.

Pela Cidade do Rock passaram milhares de pessoas nos quatro dias de festival, separados por dois fins-de-semana. Entre atrações como a roda gigante ou o slide, ficam os testemunhos de quem confirma uma edição melhor do que a anterior e para 2020 a promessa está feita: o "rock" ou o pop estarão de volta ao Parque da Bela Vista.