“Show must go on”

Adam Lambert não é Freddie Mercury. Paul Rodgers também não era. Ninguém será. Mas tem isso de significar que os Queen nunca mais poderão dar um bom espetáculo? Não. A prova? O concerto que deram hoje em Lisboa.

Recorde aqui o segundo dia de Rock in Rio.

Há quem prefira focar-se na postura do cantor que os Queen escolheram para os acompanhar nos concertos ao vivo. Por exemplo, que trocou várias vezes de casaco e sapatos (alguns com salto alto) durante o espetáculo - começou com um preto com brilhantes, passou para outro com fitas pretas, de seguida outro com palmeiras estampadas, terminou com um branco, também, com brilhantes – sentou-se numa enorme cadeira de frente para o público logo pouco depois de começar o espetáculo, e durante a performance de “We are the champions” até uma coroa usou. Porém, o que conta é que Adam Lambert é o dono de uma voz invejável e que combina com os temas escritos por Freddie Mercury, tanto que lhes fez justiça do início ao fim.

O próprio nome destacado no cartaz revela que não há uma intenção de substituir o vocalista, lê-se “Queen + Adam Lambert” e não apenas Queen. Aliás, como Lambert fez questão de frisar logo pouco depois do início do concerto, “só existe um Freddie Mercury” e ele esteve no palco da Bela Vista “apenas para o homenagear.”

Cumpriu. Depois de onze anos sem virem a Portugal, os Queen foram merecedores do lugar de cabeças de cartaz deste segundo dia de Rock in Rio Lisboa e são sérios candidatos a ser considerados o grande concerto do festival.

O alinhamento escolhido deu-lhes uma grande vantagem. “Stone Cold Crazy”, “Killer Queen”, “Break Free”, “Somebody to Love”, “Crazy Little Thing”, Don’t Stop Me Now”, “Another One Bites The Dust”, “I Want it All”, “Bohemian Rhapsody”, “We Will Rock You” e “We are the Champions”, foram apenas alguns dos temas tocados ao longo de duas horas de concerto, que levaram 74 mil pessoas ao delírio.

Atenção, isso não foi causado apenas por Lambert, Brian May e Roger Taylor foram outros grandes protagonistas do concerto. O guitarrista e baterista, respetivamente, tiveram momentos a solo, bem na frente do palco – na cara do público mais à frente – onde puderam mostrar de que são feitos os Queen. Vale destacar o momento em que May cantou “Love of My Life”, acompanhado pelo público da Bela Vista, e o facto de ter falado várias vezes em português, tendo, até, pedido “uma onda” a toda a audiência.

No final o sentimento era praticamente unânime, foi o concerto da noite, para alguns "o concerto de uma vida", como contaram à TVI24, Marta Melro e Ricardo de Sá, atores da TVI, que assistiram ao espetáculo.

 

Foi o concerto da noite, mas não foi o único deste segundo dia de Rock in Rio Lisboa. Antes dos Queen + Adam Lambert, pisou o palco Mika, o cantor britânico que veio apresentar “No Place in Heaven”, o mais recente trabalho, lançado em 2015, misturado com hits como “Grace Kelly”, “Relax” ou “Love Today”.

O cantor britânico também deu um bom espetáculo, visivelmente pensado para o público português. Em primeiro lugar, pela quantidade de vezes que o cantor falou na língua de Camões, mas mais importante que isso pelo uso da guitarra portuguesa durante a atuação. E ainda que tenha afirmado que não sabia “cantar o fado”, chamou ao palco alguém que o sabe bem, Mariza, que surgiu já na reta final do concerto para surpresa do público.

Sem dúvida um dos momentos da noite, já que a cantora até andou às “cavalitas” de Mika.

 Inesperado, tal como tinha sido a mini atuação que tinha juntado os dois músicos na noite anterior numa casa de fados.

 

Antes de Mika, quando o relógio ainda só marcava 20:30, subia ao palco mundo Fergie. A norte-americana, também membro dos Black Eyed Peas, presenteou o público da Bela Vista com um alinhamento bastante diverso, que não se restringiu apenas aos seus temas originais. Talvez seja esta a razão, aliás, para que o concerto se tenha tornado outra das grandes atuações destes dois dias. Sim, porque a cantora até a “Start Me Up” dos Rolling Stones tocou e a "Purple Rain" de Prince.

Alinhamento do concerto de Fergie

 

A cantora norte-americana já tinha estado em Portugal em 2004, na primeira edição do Rock in Rio Lisboa, com os The Black Eyed Peas, e em 2010, também com o grupo, num espetáculo no Estádio Nacional.

Porque o Rock in Rio não se fez apenas de Palco Mundo, vale ainda referir que passaram pelo parque da Bela Vista no palco secundário os portugueses Pista e Sensible Soccers e os brasileiros Boogarins. Na tenda eletrónica a animação esteve a cargo de Conti & Leozinho, Carlos Manaça, Octave One Live, DJ Vibe e Carl Cox.