A cantora beninense Angélique Kidjo, que atua na quinta-feira no Rock in Rio Lisboa, quer alterar a perceção que o mundo tem das mulheres africanas e acredita que as jovens com instrução «mudarão o continente para sempre».

Em entrevista à agência Lusa, dias antes do regresso a Portugal - para um concerto naquele festival com o músico português Rui Veloso e o brasileiro Lenine -, Angélique Kidjo não separou, no seu discurso, nenhuma das suas facetas: a música, o ativismo, a condição feminina e as origens africanas. E mostrou-se atenta à música lusófona.

Por considerar que África a apoiou no começo da carreira, nos anos 1980, Angélique Kidjo diz hoje, com 53 anos, que quer retribuir o melhor que puder: «Quando se é um músico africano, não se pode ignorar o sofrimento do seu próprio continente. O último desafio da Humanidade é melhorar a vida do povo africano».

Angélique Kidjo deverá passar esta mensagem no concerto em Lisboa, que incluirá repertório da artista, assim como de Rui Veloso e Lenine, estando reservadas algumas surpresas. A artista não exclui cantar em português, por já ter interpretado antes repertório da música brasileira.

Em Lisboa, a cantora não deverá ter tempo para tomar contacto com a música local ou com as comunidades luso-africanas, mas disse estar «muito atenta à música lusófona» («por exemplo, adoro Bonga») e declarou: «Eu penso que a música ajudou Portugal e Angola a compreenderem-se melhor».

Embaixadora da UNICEF há mais de dez anos, Angélique Kidjo criou ainda a The Batonga Foundation, uma organização que apoia e incentiva jovens adolescentes africanas a prosseguirem os estudos secundários e universitários.

A fundação trabalha em países como o Mali, o Benin, a Etiópia e a Serra Leoa e Angélique Kidjo espera que este movimento de consciencialização para o valor da educação nas mulheres se estenda a outros países de África, como a Nigéria.

Sobre este país, a cantora tem-se desdobrado em ações de alerta internacional para o caso do rapto das 200 adolescentes, há um mês, pelo grupo radical islâmico Boko Haram.

«No início quase ninguém queria saber, até que algumas celebridades começaram a falar no assunto, e aí a situação começou a mudar. Eu não tenho a certeza que possa ajudar neste caso, porque a situação é muito complexa, mas pelo menos chamou-se a atenção para isto: É preciso melhorar o acesso das raparigas africanas à educação».

Depois do festival Rock in Rio Lisboa, Angélique Kidjo voltará em julho a Portugal para atuar no Festival Músicas do Mundo de Sines.

Aí terá oportunidade de apresentar o novo espetáculo, assente no disco «EVE», editado este ano, dedicado à mãe «e a todas as mulheres africanas, à sua beleza e resiliência», como escreve a Lusa.