Rock in Rio celebrou êxitos de outras décadas
Linkin Park, Smashing Pumpkins, Offspring e Limp Bizkit levaram 80 mil pessoas ao segundo dia do festival
Por: João Carneiro da Silva/ Manuel Lino (fotos) | 2012-05-27 05:36A enchente anunciada para o segundo dia do Rock in Rio Lisboa 2012 confirmou-se: 83 mil pessoas passaram este sábado pelo
Parque da Bela Vista para o recordar de êxitos de outras décadas dos Linkin Park, Smashing Pumpkins, Offspring e Limp Bizkit.
A
banda de Fred Durst foi a primeira a animar (e de que maneira) a multidão que já se acumulava em frente ao Palco Mundo por
volta das 19h00. A carreira dos Limp Bizkit já viveu melhores dias, mas o grupo norte-americano apresentou-se no Rock in Rio
com a energia dos anos 00, época dourada para o nu metal e rap rock.
Com o guitarrista Wes Borland pintado de branco,
Fred Durst também subiu a palco «mascarado» com uma espécie de fato-macaco e o vocalista dos Limp Bizkit provou que não perdeu
o jeito para levar multidões ao rubro.
«Break Stuff» foi o melhor exemplo da inesperadamente renovada energia do
grupo. Os riffs e as palavras pesadas acenderam o rastilho aos adolescentes de hoje e de há dez anos e Fred Durst não
fez por menos e escalou duas torres das câmaras que filmavam o concerto para puxar ainda mais pelo público.
No outro
lado do recinto, minutos antes das 20h00, o Palco Sunset recebeu os Xutos & Pontapés e os Titãs, que já tinham partilhado
o palco no Rock in Rio 2011, no Rio de Janeiro. No novo encontro entre os dinossauros do rock português e brasileiro «À Minha
Maneira» foi cantado à maneira do vocalista dos Titãs, com o respetivo sotaque, e recebido de braços abertos por uma plateia
que não se cansa de acompanhar a letra de cada canção dos Xutos (eles que regressam ao festival no dia 3 de junho para um
concerto no palco principal).
De volta ao Rock in Rio Lisboa quatro anos depois de uma atuação sem fôlego, os norte-americanos
The Offspring limparam a fraca imagem deixada em 2008 e também eles souberam tirar proveito ao máximo de tocarem perante várias
dezenas de milhar de espectadores.
Do novo álbum a sair no final de junho, a banda de punk rock apenas apresentou
o single homónimo, «Days Go By», apostando mais na revisão da matéria dada no final da década de 1990. «All I Want» e «Come
Out And Play» logo aos primeiros temas do alinhamento e a animação estava garantida.
Mas a maior receção da noite
estava guardada para os Linkin Park, também eles repetentes depois da passagem pelo festival (também) em 2008. Em Portugal,
a popularidade dos outrora «meninos bonitos» do nu metal nunca sofreu muitas mossas e foi sem surpresas que grande parte das
mais de 80 mil gargantas cantaram em uníssono refrães de êxitos como «In The End», «Crawling» ou «Somewhere I Belong».
Também
com um novo álbum à porta, os Linkin Park levantaram o véu a «Living Things» com apenas dois temas e seguiram igualmente o
exemplo das restantes bandas que passaram pelo Palco Mundo, alicerçando a sua atuação nas principais canções que os levaram
ao sucesso desde há dez anos.
O vocalista Chester Bennington continua a ser o principal impulsionador de uma banda
que teima em não desapontar os fãs e mais uma vez o Rock in Rio foi o palco perfeito para os Linkin Park mostrarem que, apesar
de tudo, ainda continuam bem vivos.
Faltava ainda o último grande concerto da noite, mas foi notório o desinteresse
de muitos que saíram da Cidade do Rock antes sequer de os Smashing Pumpkins entrarem em ação. Para quem tinha ficado desiludido
com a falta de hits na passagem pelo Campo Pequeno, em dezembro, a atuação no festival terá corrigido essa «falha».
«Zero»,
«Bullet With Butterfly Wings» e «Today» a abrir o alinhamento deixaram bem claro que também Corgan sabe adaptar-se a plateias
mais genéricas. As incursões por «1979» e «Tonight, Tonight» puxaram pela afinação das vozes dos fãs que desde 1995 guardam
um lugar especial no coração para o álbum «Mellon Collie and the Infinite Sadness».
«Disarm» e «Cherub Rock» foram
outros tiros certeiros num concerto que passou ainda pelas versões de «Space Oddity», de David Bowie, e «Black Diamond», dos
Kiss.

