Há uma razão para o «Fire» vir depois de «Arcade».

Os canadianos Arcade Fire «incendiaram» o parque da Bela Vista com uma atuação que, sem tirar o mérito de todos os que pisaram o Palco Mundo neste quarto dia de Rock in Rio Lisboa, deixará recordações em todos os que estiveram presentes.

O concerto até teve um início «morno», ao som de «Reflektor», mas os Arcade Fire depressa mostraram que não vieram a Lisboa para deixar o público quieto. Os temas «Power Out» e «Rebelion» conseguiram, rapidamente, anular o início «tímido» e colocaram o público aos saltos e a acompanhar as vozes de Win Butler e Régine Chassagne.

Um público certamente mais modesto que nas noites anteriores, com cerca de 47.500 pessoas, mas que não retirou mérito à atuação e que se fez notar tão bem, ou melhor, principalmente depois de «The Suburbs», (que segundo disse Butler, em bom português, «é uma música sobre saudade»), e de «Ready to Start».

Mais para o final, o concerto dos canadianos subiu mais um degrau e juntou a música ao espetáculo visual, com um grupo de mascarados «cabeçudos», que surgem como reflexo das influências do carnaval no último disco da banda, a juntar-se aos músicos para dançar ao som de «Sprawl II», «Normal Person», «Here comes the night» e, a última da noite, «Wake up».

No palco esteve também Lorde, que atuou antes dos canadianos, e Win Butler até cantou um pouco do refrão de «Royals», um dos singles mais famosos da jovem cantora.

«Nunca vou esquecer isto».

Estas são exatamente palavras da neozelandesa Lorde, porém ditas durante o seu próprio concerto, mesmo antes de cantar a última música.

A jovem cantora, de apenas 17 anos, esteve encarregue de entreter o público da Bela Vista a partir das 22 horas e vale destacar a emoção que demonstrou durante toda a atuação, espantada pelo mar de gente que entoava as suas canções.

O tom de voz usado para comunicar com a audiência mostrava que tudo o que era dito não foi ensaiado previamente, e que o espanto era real.

«Nunca vi tantas pessoas juntas. Isto é de doidos. Vocês são o melhor público para quem já cantei», disse a meio da atuação.

E as suas palavras tinham razão de ser, pois, ainda que os seus temas sejam caracterizados por um tom melancólico, o público manteve-se sempre «bem acordado» e mostrou que estava muito satisfeito por ter a neozelandesa a cantar mesmo ali à frente.

«Tennis Court», «Team», «A World Alone» (que encerrou o concerto) foram algumas das músicas que marcaram a atuação, que atingiu o seu pleno em «Royals», tema que a jovem fez questão de cantar no centro do palco, iluminada pelas luzes dos telemóveis do seu público, que os ergueu a seu pedido.

Mas os Arcade Fire e Lorde não foram os únicos a pisar o Palco Mundo neste quarto dia de Rock in Rio Lisboa. Logo às 19 horas, o palco encheu-se de músicos portugueses que se juntaram para homenagear António Variações.

Linda Martini, Deolinda, Gisela João, Paulo Pedro Gonçalves e Rui Pregal da Cunha interpretaram temas do "ícone" da música portuguesa, dos quais se destacam «Anjinho da Guarda», «Quero é Viver» (Gisela João), «Toma o Comprimido» (Linda Martini), «É para amanhã» (Deolinda), e as mais aplaudidas «Canção do Engate» (Linda Martini e Deolinda) e «Estou além» (Deolinda, Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves).

Uma atuação que deixou o público preparado para receber Ed Sheeran e que serviu de prova de que, como afirmou o vocalista dos Linda Martini, «nos podem tirar muita coisa, mas não nos podem tirar a nossa cultura».

Ed Sheeran começou por volta das 20:30, já para uma plateia maior, e com temas como «Lego House», «Give Me Love», «I see Fire», «A Team» e, a última do concerto, «Sing», o cantor britânico certamente conseguiu, também, deixar a sua marca no parque da Bela Vista, neste que foi o seu primeiro concerto em Portugal.