O guitarrista Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, considera que Lou Reed, que morreu aos 71 anos, no domingo, foi um artista «enorme» e «fora do comum», que pôs Nova Iorque no mapa do rock.

«Vi o Lou Reed pela primeira vez em 1977, em França, e fiquei fascinadíssimo com o concerto dele», disse o músico à agência Lusa, acrescentando que o ex-Velvet Underground «meteu Nova Iorque no mapa» do rock, causando «um grande impacto com os seus primeiros discos».

Entre os álbuns que «marcaram uma geração», Zé Pedro aponta «Transformer», de 1972, mas também «Rock 'n' Roll Animal», um disco ao vivo lançado em 1974.

Zé Pedro, que assistiu a dois concertos de Lou Reed em Portugal, no pavilhão do Dramático de Cascais e na Casa da Música, no Porto, teve também oportunidade de «confraternizar um bocadinho» com o nova-iorquino nesta ocasião.

«Senti-me muito privilegiado e orgulhoso», sublinhou o guitarrista, afirmando que nesse dia Lou Reed não deu mostras do mau feitio de que tinha fama.

Zé Pedro destacou ainda o papel de Lou Reed como ativista de causas sociais, nomeadamente por ter «dado a cara pelos Alcoólicos Anónimos».

Para o guitarrista dos Xutos & Pontapés, Lou Reed foi «marcante até ao fim», embora não tenha ficado particularmente impressionado com o seu último álbum, «Lulu», em parceria com os Metallica.

«Têm modos de trabalho diferentes (...). O Lou Reed foi sempre, mesmo nas suas fases mais pop, um artista a compor sempre muito em cima da hora, e os Metallica são uma banda mais elaborada, que demora muito tempo a fazer os discos. Têm um conceito de música completamente diferente do Lou Reed e, do meu ponto de vista, como ouvinte e fã tanto de um como dos outros, o casamento não resultou muito bem», afirmou.

«Mas, o Lou Reed sempre nos habituou a fazer experiências estranhas e fora do comum, tanto na pop como no rock», lembrou Zé Pedro.

Morreu Lou Reed, o poeta do rock

Também o vocalista dos UHF recordou Lou Reed como «uma referência» que o ajudou a ser músico e lamentou a «oportunidade perdida» de tocar ao vivo com o músico norte-americano na sua primeira passagem por Portugal.

«Aconteceu. Nós, na altura, fazíamos muitas primeiras partes e não fizemos essa. Nós não tocámos com ele e tocámos com o Elvis Costello, foi na altura uma escolha da produtora», contou à Lusa António Manuel Ribeiro, recordando o primeiro concerto de Lou Reed em Portugal, em 1980, no pavilhão do Dramático, em Cascais.

O músico português lembrou que esteve «quase, quase a tocar com Lou Reed», o fundador de uma das suas bandas norte-americanas «de eleição», os Velvet Underground.

«É uma referência da minha geração, é um mito como o John Lennon, que me ajudou a ser músico», disse.

António Manuel Ribeiro afirmou que sempre respeitou Lou Reed por este ser «muito senhor do seu nariz, que se impôs sem nunca ter sido muito comercial» e sublinhou a ligação a Andy Warhol no início da sua carreira, que a ajudou a vingar «numa franja cultural» em Nova Iorque, ficando, desde aí e ao longo do seu percurso, associado a uma contracorrente e a uma contracultura.

«Um rocker, um compositor» e «um artista», é como Luís Varatojo descreve Lou Reed, não esquecendo também o seu legado como cantor.

Além da música, o músico d'A Naifa e ex-Peste & Sida confessa-se admirador da postura única de Lou Reed: «Vi-o no concerto do Coliseu em Lisboa (em 1992) e não era uma pessoa fácil, lembro-me de ele ter saído do palco porque as pessoas estavam a fazer barulho e ele não queria barulho para tocar. Aprecio esse tipo de atitude».