O cantor e compositor brasileiro Luiz Melodia morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 66 anos, devido ao agravamento de um cancro na medula óssea. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do músico, que estava internado no Hospital Quintas D'Or, no Rio de Janeiro.

Também foi confirmado que o seu velório será na quadra da Escola de Samba Estácio de Sá, uma das mais importantes agremiações cariocas que fica na comunidade onde o músico nasceu e foi criado.

Nascido no Morro do Estácio, na zona central do Rio, em janeiro de 1951, o músico chamava-se Luiz Carlos dos Santos. Ficou conhecido pelo nome Luiz Melodia por ser filho do sambista Oswaldo Melodia.

Tipógrafo e vendedor

Luiz Melodia começou a carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho. Na época ainda trabalhava como tipógrafo, vendedor e músico tocando em bares à noite. No ano seguinte, formou o conjunto musical Os Instantâneos, com os amigos Manoel, Nazareno e Mizinho.

Seria descoberto pelo poeta brasileiro Wally Salomão, que o apresentou à cantora Gal Costa, que gravou seu primeiro sucesso, a canção “Pérola Negra”, presente no alinhamento do disco “Gal a Todo Vapor”, de 1972.

Neste mesmo ano a cantora Maria Bethânia gravou outra música de sua autoria, a icónica “Estácio, Holly Estácio”.

Luiz Melodia lançou o primeiro disco, Pérola Negra, em 1973.

Outras canções do artista ganharam grande projeção no Brasil e no exterior, destacando-se “Codinome Beija-Flor”, gravada também pelo seu amigo Cazuza, além das canções “Negro Gato”, “Juventude Transviada” e “Ébano”.

Villaret em Portugal

Entre outras atuações, Luiz Melodia subiu ao palco do Teatro Villaret, em Lisboa, em julho de 2010. Tocou também em Luanda, no âmbito do Festival Internacional de Cinema da capital angolana em novembro de 2013.

O músico fez também o espetáculo da sessão de entrega da primeira edição do prémio Portugal Telecom de Literatura, em 2003, que distinguiu Bernardo Carvalho e Dalton Trevisan. Luiz Melodia tinha 46 anos de carreira e gravou 16 discos.