Ao segundo dia de Optimus Alive'13, os Depeche Mode foram reis e senhores de uma noite que deve ter estado muito próxima da perfeição para os fãs da banda britânica.

Quatro anos após o último concerto em Portugal, no Pavilhão Atlântico, Dave Gahan, Martin Gore e Andy Fletcher não deixaram de apresentar as novidades do 13º disco de estúdio, «Delta Machine», mas foi com os incontornáveis clássicos de uma carreira com mais de três décadas que conquistaram a vasta plateia de milhares e milhares que rumaram até ao Passeio Marítimo de Algés neste sábado.

Apesar da longevidade e da própria idade dos músicos (todos eles já passaram a barreira dos 50), os Depeche Mode não conseguem simplesmente entrar em modo automático e despejar hits e canções novas só para mostrarem trabalho feito.

Mais uma vez, o trio (há vários anos acompanhado pelo baterista Christian Eigner e o teclista Peter Gordeno) mostrou continuar a divertir-se em palco. Bastou ver a naturalidade e entusiasmo com que Dave Gahan se entregava a cada tema, novo ou velho, o que animou ainda mais um público hipnotizado pela música dos Depeche Mode e pelo serpentear do seu vocalista.

«Enjoy The Silence», «Personal Jesus» e «Just Can't Get Enough» foram certamente os pontos altos de uma noite em que tudo correu bem aos Depeche Mode e aos seus fãs.

Nesta segunda etapa do Optimus Alive'13, o dia no Palco Optimus começou cantado em português pelas mãos dos OqueStrada e seguiu depois numa viagem no tempo com um dos nomes que fizeram história no hip-hop norte-americano no final dos anos 1990 - os Jurassic 5.

De volta aos palcos depois da separação em 2007, o coletivo formado pelos MCs Chali 2na, Akil, Soup e Mark 7even, e pelos DJs Nu-Mark e Cut Chemist caiu de paraquedas no cartaz do palco maior do festival, mas animou, e de que maneira, quem já os conhecia ou quem não teve pudor em juntar-se à festa.

«Improvise», «What's Golden» e «Desk (Hip Hop History)» foram algumas das lições revistas numa aula de como dar um dos concertos mais entusiasmantes do festival. Os Jurassic 5 mereciam mais público nesta histórica passagem por Portugal, mas quem lá esteve sabe bem o que os outros perderam.

O anoitecer (sem pôr do sol, porque esse nem vê-lo, em mais um dia cinzento) aconteceu ao som de uns Editors que têm vindo ao nosso país regularmente nos últimos anos, mas que trouxeram novidades com o álbum acabado de lançar. Editado no início do mês, «The Weight of Your Love» ainda está demasiado verde para marcar muitos pontos ao vivo, e os fãs preferiram o conforto das batidas já conhecidas de «Munich», «The Racing Rats» e «Smokers Outside The Hospital Doors».

No outro lado do recinto, o Palco Heineken esteve quase sempre bem composto de público ao longo de um dia marcado pelas atuações dos DIIV, Rhye, Jamie Lidell e The Legendary Tigerman. Os portugueses Capitão Fausto foram autores de um concerto para mais tarde recordar, numa performance suada e inspirada, e que serviu como aperitivo para o novo álbum que a banda está a preparar.

Os belgas 2manydjs e os canadianos Crystal Castles encerraram os palcos Optimus e Heineken, respetivamente, num final de festa dominado pela eletrónica.

O terceiro e último dia de Optimus Alive'13 acontece este domingo com as atuações dos Kings of Leon, Phoenix, Tame Impala, Linda Martini, Django Django, Band of Hourses e Alt-J, entre outros. Este ano, a organização do festival não tem divulgado informação quanto ao número diário de pessoas que têm passado pelo recinto.