Justice, Buraka e LMFAO fazem a festa no Optimus Alive
Música de dança triunfou sobre momentos menos consensuais dos Stone Roses e Snow Patrol no primeiro dia do festival
Por: João Carneiro da Silva/ Paulo Sampaio (fotos) | 2012-07-14 06:17Estreias, regressos, desilusões e momentos de pura festa marcaram o arranque de mais uma edição do Optimus Alive, esta
sexta-feira. Durante três dias, Algés volta a ser o epicentro musical deste país à beira mal plantado com um festival cada
vez mais internacional, que visivelmente chamou gente das mais variadas nacionalidades.
O primeiro dia de concertos
depressa provou que não faz sentido falarmos em «palcos secundários», com o Palco Heineken a receber duas grandes enchentes
para as atuações dos norte-americanos LMFAO e dos portugueses Buraka Som Sistema.
Aliás, a música de dança esteve
em alta, fechando o Palco Optimus (o maior, em tamanho) com os franceses Justice, que conseguiram acordar uma plateia que
passou por alguns momentos de apatia com os concertos dos Stone Roses e dos Snow Patrol.
O rock musculado de Danko
Jones abriu o Palco Optimus por volta das 18h30, numa altura em que ainda havia muitos festivaleiros a chegarem ao recinto.
Seguiram-se
os suecos Refused, recém regressados ao ativo depois de uma separação que durou 14 anos. O vocalista Dennis Lyxzén até já
tinha estado no festival de Algés, com os The (International) Noise Conspiracy, em 2007, mas esta foi mesmo a primeira vez
que os Refused tocaram em Portugal.
Punk hardcore com mensagens anticapitalistas num evento repleto de marcas e produtos
é no mínimo contraditório, mas Dennis admitiu que hoje em dia a banda prefere satisfazer a vontade dos fãs, que os querem
ver nos grandes festivais de verão, do que insistir em tocar apenas para plateias de 200 pessoas.
«Sei que a economia
não está muito boa aqui em Portugal, por isso obrigado a todos os que pagaram bilhete para nos virem ver», afirmou o vocalista
de uma banda que não deixou ficar mal os fãs, especialmente em temas como «Rather Be Dead» e «New Noise», o mais aplaudido
da atuação.
Definitivamente para outro público, o concerto dos Snow Patrol ganhou em momentos de comunhão entre os
fãs com as letras na ponta da língua e um grupo que tem em «Just Say Yes» e «Chasing Cars» o tipo de canções certas para embalar
a falange pop rock FM do festival. Houve quem não arredasse pé da frente do Palco Optimus, mas também houve muito boa gente
que aproveitou para ir jantar.
Às 21h40, quem passou pelo Palco Heineken pôde assistir a um dos mais recentes fenómenos
da música de dança. Chamam-se LMFAO, esgotaram há uns meses os coliseus de Lisboa e do Porto e intitulam a sua electropop
de «Party Rock».
E a festa foi mesmo rija, mesmo que apenas com metade da dupla em palco, mas com RedFoo acompanhado
da banda e dançarinos para uma atuação animada, com muitos objetos insufláveis à mistura e pouca roupa. «Sorry For Party Rocking»
e «Sexy and I Know It» foram festejados por miúdos e graúdos numa tenda a abarrotar.
A animação no Palco Heineken
continuou em alta com Santigold e mais tarde os Buraka Som Sistema. A banda portuguesa voltou a mostrar por que é tão requisitada
nas discotecas um pouco por todo o globo. Dançar foi obrigatório ao som dos contagiantes «Kalemba (Wegue Wegue)» ou «Sound
of Kuduro».
No outro lado do recinto, o cenário era bem diferente, e não apenas porque o rock dos Stone Roses não
puxa pelas ancas como a batida dos Buraka. A verdade é que o tão esperado retorno aos palcos da banda liderada por Ian Brown
põe a descoberto a falta de nervo ao vivo.
Quem conseguiu ultrapassar a desafinação do vocalista dos Stone Roses,
poderá ter regozijado ao ouvir «Waterfall», «Love Spreads» ou «I Am The Resurrection». Mas foi claramente um concerto que
só os fãs mais acérrimos poderão defender.
A justiça em palco foi feita às mãos de dois franceses, já depois da 1h30
da madrugada. «Civilization» é o trunfo mais recente dos Justice e espreitou muitos dos temas remisturados pela dupla do alto
do seu altar (com cruz luminosa no centro de máquinas e amplificadores). Dançar e dançar até não mais poder. E «amanhã há
mais».
