David Bowie morreu domingo aos 69 anos, vítima de cancro. Camaleónico, conjugou magistralmente talento, ‘gancho’ comercial e ambiguidade, tornando-se num dos músicos mais influentes de sempre, com um estilo ímpar que nunca deixou de reinventar.

Provocador, enigmático e inovador, construiu uma das carreiras mais veneradas e imitadas da indústria do espetáculo, que o colocou no pedestal das lendas da música. Por Portugal passou duas vezes: em 1990 no Estádio de Alvalade e seis anos depois no festival Super Bock Super Rock.





A notícia da sua morte foi oficializada na página oficial de David Bowie, no Facebook. 
 
 

January 10 2016 - David Bowie died peacefully today surrounded by his family after a courageous 18 month battle with...

Publicado por David Bowie em  Domingo, 10 de Janeiro de 2016


Na mensagem, na rede social, pode ler-se que "David Bowie morreu serenamente, rodeado pela família, após uma batalha de 18 meses contra um cancro". 


O filho, o realizador Duncan Jones, também confirmou o óbito do pai, dizendo estar "muito triste" e que com "muita pena".

 
O anúncio da morte de David Bowie chegou dias depois do lançamento do álbum “Blackstar”. O vigésimo nono e último trabalho do cantor foi lançado na sexta-feira, no dia em que fez 69 anos.


David Bowie - Blackstar from david thomson on Vimeo.


Nascido David Robert Jones, a 8 de janeiro de 1947, no seio de uma família modesta de Brixton, um bairro popular do sul de Londres, a lenda do rock viu o primeiro sucesso chegar em 1969, com “Space Oddity”, uma música que se tornou mítica sobre a história de Major Tom, um astronauta que se perde no espaço.





Nessa altura, já tinha operado a primeira de muitas reinvenções, ao “batizar-se” David Bowie quatro anos antes, para evitar confusões com Davy Jones, vocalista dos The Monkees, banda rival dos Beatles.

Os anos 1970 viram-no dominar o panorama musical britânico e conquistar os Estados Unidos da América com uma série de álbuns de sucesso.


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Bowie, que estudou budismo e mímica, traçou o caminho para vingar como uma das figuras de maior relevância durante mais de cinco décadas. Multifacetado, também foi ator, produtor discográfico e venerado como ícone de moda pela tendência para provocar por via da indumentária.

Autor de álbuns aclamados como “Heroes” (1977), “Lodger” (1979) e “Scary Monsters” (1980), o artista, radicado em Nova Iorque há anos, chegou ao topo da indústria a 6 de junho de 1972 com “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spider From Mars”.




Este disco, em que relata a inverosímil história da personagem Ziggy Stardust, um extraterrestre bissexual e andrógino transformado em estrela de rock, reuniu duas das obsessões do cantor: o teatro japonês kabuki e a ficção científica.

Contudo, essa excêntrica personagem foi apenas uma das muitas personalidades que adotou ao longo da carreira, como os outros “alter egos” da sua produção criativa: Aladdin Sane ou Duque Branco.

Em 1975, chegou o primeiro êxito nos Estados Unidos, com o ‘single’ “Fame”, que coescreveu com John Lennon, e também graças ao disco “Young Americans”.





Mais tarde, em 1977, chegou o minimalista “Low”, a primeira de três colaborações com Brian Eno, conhecidas como a “Trilogia de Berlim”, que entraram no top 5 britânico.

Ao lugar cimeiro da tabela musical no seu país chegou ainda com “Ashes to Ashes”, do álbum “Scary Monsters (and Super Creeps)”; colaborou com os Queen no êxito “Under Pressure” e voltou a triunfar em 1983 com “Let's Dance”.

Em 2006, anunciou um ano sabático e desde então muitos fãs choraram a prolongada ausência que deu azo a todo o tipo de rumores sobre a sua saúde.

Esse “retiro” musical foi quebrado esporadicamente, como com a aparição surpresa num concerto de David Gilmour (Pink Floyd) no Royal Albert Hall de Londres nesse mesmo ano ou com a colaboração no álbum de canções de Tom Waits que a atriz norte-americana Scarlett Johansson publicou em 2008.

Após anos de silêncio, David Bowie “ressuscitou” em 2013, aos 66 anos, com “The Next Day”, um disco produzido pelo veterano Tony Viscontti, o seu homem de confiança que enamorou a crítica com típicos elementos ‘bowinianos’.





Um ano depois, pôs no mercado a antologia “Nothing Has Changed”, com a qual celebrou meio século de carreira.

O seu mais recente álbum foi “Blackstar”, em que surge como um ‘rocker’ ainda apostado em surpreender ao enveredar por alguma experimentação jazz, o qual foi posto à venda na passada sexta-feira, coincidindo com a data do seu 69.º aniversário.

O seu 25.º álbum, surgido sob o signo de uma misteriosa estrela negra (“Blackstar”), é atravessado por baterias epiléticas, por correntes e explosões de saxofones (o primeiro instrumento de Bowie) e por uma voz de veludo que transmite ora doçura, ora inquietação em surdina.




O magnetismo e inesgotável força comercial de Bowie, que vendeu aproximadamente 136 milhões de discos em todo o mundo, fazem a sua última etapa no museu londrino “Victoria & Albert”, que lhe dedica uma extensa exposição, em que se explora a sua influente carreira através de 300 objetivos seus, selecionados de entre mais de 7.000.

David Bowie, que lutava há 18 meses contra um cancro, era casado desde 1992 com a modelo somali Iam, com a qual teve uma filha, Alexandria Zahra “Lexi” Jones. Tem outro filho, Duncan Jones, fruto de um primeiro casamento com Angela Bowie.

 

 

"Let's Dance" 1983 from David Bowie on Vimeo.