A lenda do jazz Ornette Coleman morreu nesta quinta-feira, noticia o New York Times.

O saxofonista e compositor, de 85 anos, estava internado num hospital de Manhattan, em Nova Iorque, e sofreu uma paragem cardíaca, segundo um representante da família, citado pelo diário norte-americano.

Nascido em Fort Worth, Texas, em 1930, o artista, considerado “um dos mais poderosos e controversos músicos de jazz”, celebrizou-se por discos como “The Shape of Jazz to Come”, de 1959, distinguido este ano com a entrada na "Grammy wall of fame", e “Change of the Century”, o álbum seguinte, dois títulos que desafiaram os preceitos e as estruturas definidas daquele género musical.

“Free Jazz”, álbum editado em 1960, deu origem e nome a uma nova expressão dentro da música Jazz.

Com a sua música e personalidade cultivou uma figura de “músico-filósofo”, mais “eloquente e teórico” do “que John Coltrane”, afirma o obituário do New York Times.

A história de Coleman cruza-se com a história da resistência ao Estado Novo em Portugal: a sua atuação no Cascais Jazz de 1971 - primeiro festival de jazz em Portugal - terminou sob ameaça de intervenção policial, depois de o seu contrabaixista, Charlie Haden, que morreu há um ano em Los Angeles, dedicar uma música aos movimentos de libertação de Angola e Moçambique.

O público recebeu a declaração política efusivamente, com aplausos e punhos erguidos, mas o contrabaixista foi de imediato detido pela PIDE, que o escoltou ao aeroporto de Lisboa, obrigando-o a sair do país.

A grande maioria da imprensa portuguesa da época, sob o olhar da censura, ignorou o sucedido.

Ornette Coleman atuou por cinco vezes em Portugal. Além das presenças no Cascais Jazz, em 1971, no Jazz em Agosto, em 2007, e em Lisboa e no Porto, em 2008, esteve também nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1996, e ainda no Jazz em Agosto de 1988, para dois concertos com a Prime Time Band.