O músico português Rão Kyao está em Macau a «retratar musicalmente» a nova cidade, que está muito diferente da que colocou no projeto «Junção» com a Orquestra Chinesa local, lançado em 1999, escreve a agência Lusa.

«Tenho uma colaboração já de há um tempo com a Orquestra Chinesa e fui convidado para escrever umas peças para essa orquestra e para estar aqui para me ambientar com o Macau de agora, que faz uma diferença gigantesca», explicou Rão Kyao à agência Lusa depois de ter atuado na noite de terça-feira no jantar comemorativo do Ano Lunar da Serpente, organizado pela Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC).

Rão Kyao disse que a Orquestra Chinesa pretende um retrato musical da nova cidade, que o músico vê como uma «Las Vegas chinesa».

Mais de 13 anos depois da transferência de poderes de Portugal para a China, quando tocou num sarau cultural, Rão Kyao recorda a antiga cidade de que «gostava mais», porque tinha «o privado e o público».

«Tinha uma certa coisa intimista e uma reminiscência do português em Macau que nós sentíamos e que está a desaparecer completamente», acrescentou.

Declarando-se um apaixonado por Macau, Rão Kyao tem, contudo, saudade de outros tempos, de uma «Macau que era o português com o chinês, aquela coisa, um bocado mais sossegada».

«Quando fiz o "Junção" com a Orquestra Chinesa, esse disco já era a pensar no Macau anterior, aquele que eu conheci», disse o músico, que rejeita ser um «saudosista daquele cerrado».

«Mas de certa maneira acho que Macau tinha aqui uma situação única, que era aquela coisa do português no Oriente, que tem muito a ver comigo, e que, na realidade, agora é diferente», disse.

Sobre os 500 anos da presença portuguesa em Macau, o músico realçou que desejava ver um «significado», no sentido de se compreender que «é uma coisa que teve uma força real e única no mundo».

«Este cantinho aqui, onde nunca houve grandes tensões, prova muito da maneira do português, da sua maneira de ser e de como ele se ligou com o chinês que não é fácil», sustentou, acrescentando que «não convém deixar desaparecer da história esta presença».