Os 70 anos do «leãozinho» Caetano Veloso
Figura incontornável da cultura brasileira, o cantautor equiparado a Dylan e Lennon celebra esta terça-feira sete décadas de vida
Por: Redacção/ JCS | 2012-08-07 12:53Vanguardista, destemido e sem papas na língua. É assim que (re)conhecemos Caetano Veloso, figura incontornável da Música
Popular Brasileira (MPB) e da cultura do país irmão. Foi ele um dos líderes do movimento Tropicalista no final dos anos 1960,
altura em que enfrentou também a ditadura militar no Brasil com canções como «É Proibido Proibir».
No dia em que
completa 70 anos, o músico, cantor, compositor, escritor, produtor e ator baiano continua tão relevante como atual. E também
atualizado - as sete décadas de vida não o deixaram de fora da realidade dos dias de hoje e basta visitarmos o seu site oficial para rapidamente termos acesso à sua discografia completa, pronta para ser recordada ou adquirida
no iTunes.
«Cavaleiro» e «Samba em Paz» foram as duas primeiras canções que Caetano lançou em formato single, em
1965. Aos 23 anos, o músico bebia inspiração da bossa nova e do samba, e já convivia com Gilberto Gil, Tom Zé, João Gilberto
e, claro, com a irmã, Maria Bethânia.
Com Gal Costa, Caetano Veloso lançou o LP de estreia, «Domingo», em '67. E
foi também nessa altura que começou a participar nos festivais da canção de MPB. Mas se «Alegria, Alegria» foi um sucesso
instantâneo, «É Proibido Proibir», uma crítica direta à falta de liberdade no Brasil durante a ditadura militar, já foi recebida
de outra forma: com assobios e vaias, sendo aliás desclassificada. «Vocês não estão entendendo nada», foi a frase que ficou
dessa participação, em setembro de 1968, em São Paulo.
No final desse ano, Caetano e Gilberto Gil acabariam por ser
presos pela polícia militar, acusados de desrespeitarem o hino e bandeira nacionais. O exílio em Londres não esmoreceu a influência
do cantautor na cultura brasileira, ao mesmo tempo que o levou a incluir algumas canções escritas em inglês no primeiro disco
que gravou fora do Brasil, «Caetano Veloso» (1970).
Os concertos em palcos europeus e até nos EUA, na década seguinte,
começaram a mostrar a música de Caetano Veloso pelo mundo fora. E nas últimas décadas, as colaborações em palco e em estúdio
passaram a acontecer também com músicos como David Byrne ou Beck.
Não será assim de estranhar que o disco que chegou
esta semana às lojas, «Um Tributo a Caetano Veloso», conte com a participação, para além do próprio Beck, de Devendra Banhart,
The Magic Numbers, Marcelo Camelo, Seu Jorge, Jorge Drexler, Os Mutantes e a portuguesa Ana Moura. Diferentes músicos de diferentes
gerações, mas todos eles unidos por canções de Caetano, como «É de manhã», «Qualquer Coisa», «Janelas Abertas Nº2» ou «London
London».
Escrevendo para si mesmo ou para outros cantores, o talento para criar canções já foi comparado ao de Bob
Dylan ou John Lennon, e o «The New York Times» considerou Caetano Veloso «um dos maiores compositores do século XX». Os mais
de 45 álbuns editados, os cinco Grammys Latinos e as inúmeras versões e regravações assinadas por outros artistas de «O Leãozinho»,
«Sozinho», «Você é Linda» ou «Sampa», são também importantes peças que completam o puzzle de uma carreira que, apesar de extensa,
continua bem viva. Em 2011, passou por Portugal a digressão que juntou Caetano Veloso a Maria Gadú, e, já este ano, foi lançado
o CD/DVD do espetáculo gravado com Gilberto Gil e Ivete Sangalo.
E poderemos continuar a contar também com as já
célebres «caetanices». Em 2000, a propósito dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o músico não se coibiu de afirmar que
«o que Portugal veio fazer ao Brasil foi sugar, sugar, sugar e matar índios». E há três anos, descreveu o então presidente
Lula da Silva como «analfabeto» e «cafona» (qualquer coisa como piroso). É assim mesmo Caetano Veloso, não deixando ninguém
indiferente desde há 70 anos.

