Vieram diretamente da Islândia para conquistar o coração do Porto. Os Sigur Rós eram uma das bandas mais aguardadas do primeiro dia do NOS Primavera Sound - senão a mais aguardada mesmo - e isso notou-se na moldura humana que se formou junto ao palco NOS para os ver e ouvir. E aqui, ver tem um duplo sentido, dado o espetáculo visual impressionante que decorreu durante todo o concerto.

Surgiram em palco atrás de uma grade, no cenário escuro - eles, que primam pela discrição e nem dão entrevistas. Mas o palco sombrio depressa se encheu de luzes e de uma seleção de imagens e efeitos que proporcionaram um espetáculo visual impressionante. Em tons gélidos, claro. Como são as luzes nórdicas. 

Durante quase uma hora e meia, o Porto viajou até às paisagens do Norte da Europa que inspiram o post-rock dos Sigur Rós. As melodias melancólicas, envoltas em sonoridades etéreas, convidaram o público a criar uma experiência individual e introspetiva.

Os fãs, de resto, defendem que esta é música para se ouvir em ambientes intimistas - as salas pequenas onde não há o "perigo" de haver burburinho de fundo. E sim, houve burburinho. Que aqui e ali se sobrepôs à intimidade que tanto se exigia. É certo, porém, que em ambiente de festival - nem todos estão ali para ver a mesma coisa - há sempre esse risco.

Mesmo assim, e a julgar pela reação do público no final da atuação, arriscamos dizer que a maioria não terá saído defraudada. Os Sigur Rós, que têm um público fiel em Portugal, souberam conquistar quem se deslocou até ao Parque da Cidade do Porto. "Sæglópur", "Vaka" ou "Glosoli" arrancaram os aplausos da noite e ainda houve direito a um presente: "Óveður, o tema novo com que abriram o concerto.

 

Explosão de cor com Animal Collective

Depois, foi a vez de Animal Collective, para um registo completamente diferente. Música experimental que desconstrói os ritmos e as melodias mais convencionais para um resultado extravagante. No fundo é um pouco isto: ou se ama, ou se odeia. E houve quem, depois de Sigur Rós, não tivesse ficado no Palco Nos.

A banda de Baltimore veio apresentar o último álbum, "Painting With" e, durante cerca de uma hora, o recinto encheu-se de cor e de canções vibrantes que divertiram o público. Saltava-se, dançava-se, cantava-se (ou tentava-se). Por fim, a explosão final com "FloriDada", o hit deste último álbum.

Antes de Animal Collective e de Sigur Rós, naquele mesmo palco, ainda a luz do dia iluminava o verde do recinto, tinham atuado os Deerhunter. Guitarram que se cruzaram com efeitos e camadas para lá do indie rock. E canções como "Breaker" ou "Desire Lines" a animar o público, mesmo sob o céu cinzento de Matosinhos. Céu onde a natureza se misturava com a tecnologia: as gaivotas que faziam lembrar o mar, ali tão perto, e depois os drones, que procuravam captar as melhores imagens do festival.

Voltando aos Deerhunter, o grupo de Atlanta é muito acarinhado em Portugal, onde já atuou por diversas vezes - inclusivé numa edição anterior deste festival. Talvez por isso, Bradford Cox, o vocalista, começou o concerto com um "olá amigos", num português sem complexos.

Abertura em português

O Palco NOS foi estreado com um concerto de U.S. Girls, mas a primeira atuação do dia coube aos portugueses Sensible Soccers, que levaram até ao Palco Super Bock composições minimalistas e hipnóticas. A banda de Vila do Conde, que apresentou o último álbum "Villa Soledade", começou a atuar às 17:00, quando já muitos festivaleiros coloriam o recinto e as habituais coroas de flores - que já são imagem de marca deste festival - iam tomando conta da multidão.

A organização tinha informado que metade dos passes foram vendidos para o estrangeiro e isso foi bem visível. Ou melhor, audível, dado que tanto se ouvia o português como o inglês ou o espanhol.

A chuva que caiu no Parque da Cidade do Porto não afastou os festivaleiros e os concertos prolongaram-se noite dentro no Palco Pitchfork - ou a tenda eletrónica, como é mais conhecido.

A quinta edição do Primavera Sound decorre até sábado, 11 de junho. Brian Wilson, fundador dos Beach Boys, e PJ Harvey são os grandes destaques de amanhã.