Rita fez 21 anos à meia-noite ainda a sua banda predileta tocava no palco principal. A jovem que assistiu ao concerto acompanhada pela mãe começou a ouvir Depeche Mode em casa e a banda acompanha-a até hoje. Por isso mesmo, não é de estranhar que o bilhete tenha sido a sua prenda de aniversário e que tenha recebido das mãos de Dave Gahan uma folha A4 com o alinhamento do concerto no último dia do NOS Alive.

É a banda sonora da minha infância e sempre mantive esse gosto", conta.

Os britânicos - que ficam com os créditos da banda mais antiga desta edição - formaram-se em 1980, estiveram em Algés em 2013 e voltaram a pisar hoje o mesmo palco, com Dave Gahan a vestir a pele de maestro, para as 55 mil pessoas que estiveram no recinto.

O pretexto era o novo álbum "Spirit", o 14º de originais, que reflete, segundo os músicos, as mudanças políticas nos Estados Unidos. Mas para uma atuação intensa e em que público e a banda se uniram em vários momentos, não faltaram êxitos antigos como “Enjoy the silence” e “Personal Jesus”.

Foi melhor que há quatro anos, sem dúvida”. As palavras são de Marta Teixeira, de Lisboa, que veio ao festival com um grupo de amigos que, tal como ela, são fãs de Depeche Mode. "Por acaso, gostei mais deste do que do último. Já os vi quatro vezes, mas depois do primeiro concerto, este foi o que mais gostei".

Quatro anos depois, o concerto desenhado por Dave Gahan e Martin Gore mostrou ao público alguns dos temas do novo álbum - como “Going backwards” e “Where’s the revolution” - e alguns dos êxitos que os milhares que estavam no Passeio Marítimo de Algés queriam ouvir: “Enjoy the silence” e “Personal Jesus”.

E foi nesse momento do concerto, nesse tão aguardado momento, que o público explodiu. Braços no ar, telemóveis com as luzes ligadas e orquestrados por Dave Gahan, qual maestro, a enchente que se aglomerou junto do palco principal iniciou uma coreografia imbuída pelo espírito dos Depeche Mode.

Num concerto em que, segundo Marta Teixeira, "Dave não perdeu ponta de sensualidade" - o colete, o jogo de ancas e o gingar pelo palco estiveram lá - , a interação com o público foi o combustível essencial para que o espetáculo não fosse apenas mais um. Para João, que assistiu ao concerto quase na primeira fila - "Depois dos Imagine Dragons saírem, os miúdos saíram e a malta velha veio" -, o concerto não foi apenas mais um, mas discorda de Marta e diz que não foi o melhor que viu nos últimos tempos.

Não foi dos melhores. Sinceramente, não foi dos melhores. Neste novo álbum não é tão mainstream como os outros. Os clássicos, viu-se no fim, é que fazem a malta mesmo vibrar. Mas sou fã, sou suspeito, sou sempre suspeito".

"Não nos vão conseguir parar”

Antes dos britânicos subirem a palco, houve lugar para outro regresso ao palco à beira Tejo plantado. Os norte-americanos Imagine Dragons apresentaram-se, este sábado, no festival de peito aberto e honrados por "partilhar o palco com uma das maiores bandas do mundo".

Vieram para apresentar o novo álbum de originais, "Evolve", editado no final de junho e trouxeram no outro bolso os temas que os portugueses sabem na ponta da língua: "On Top of the World" e "Radioactive", com que fecharam os concertos. Os temas mais conhecidos fizeram os festivaleiros abraçar a banda e mostrar que sabiam as letras de cor.

Adorei os Imagine Dragons. O espetáculo foi brutal, nunca tinha visto e fiquei muito surpreendida", afirmou Mafalda, uma sintrense que assistiu aos três dias do festival e confessou-se rendida à banda de indie rock formada em Las Vegas.

Se no dia anterior vários artistas tinham pecado por não interagirem com o público, Dan Reynolds não quis que isso acontecesse na sua hora. Correndo pelo palco, vindo até uma das torres de onde estavam as câmaras que captavam o concerto, o vocalista quis deixar bem claro que estava ali para agradar às  "pessoas lindas, cheias de paixão, de amor" que se apresentavam à sua frente.

E foi isso mesmo que fez quando apresentou o single "It's Time" para deixar uma mensagem política de apelo à paz no mundo. 

Vivemos num mundo dividido, estamos divididos. Dividem-nos pela cor, nacionalidade, religião, orientação sexual. Há terroristas a quererem impedir-nos de vir a festivais de música. Acreditam nisso? Nunca vai acontecer. Não deixem isso acontecer".

Nos Alive teve primeiro filho

As águas rebentaram na quinta-feira, durante o concerto de The xx. Mas só no dia seguinte, quando no Passeio Marítimo de Algés se ouviam The Kills, nascia Rodrigo.

Há muito que estar grávida num festival já não é o que era. O Alive foi, aliás, o primeiro a disponibilizar uma zona especial para grávidas, ainda ia o evento na sua sétima edição. Mas este ano, com cinco futuras mamãs com mais de oito meses e meio de gestação na plateia, nasceu pela primeira vez um "bebé Alive".

Os pais, fãs do Alive, só tinham falhado uma edição. A mulher, que estava no espaço reservado a grávidas quando as águas rebentaram, foi encaminhada para a maternidade e esteve 23 horas em trabalho de parto. Mãe e filho encontram-se bem, conforme contou este sábado, em conferência de imprensa, Álvaro Covões, da organização do festival.

E como só podia estar até às 22:00 na maternidade, o pai de Rodrigo seguiu na noite deste sábado para Algés, onde não quis perder, neste último dia de festival, o concerto dos norte-americanos Spoon. O bebé, esse, "será convidado de honra do festival" sempre que quiser, como contou Álvaro Covões à TVI24.

Ao todo, passaram pelo Passeio Marítimo de Algés 165 mil pessoas: 55 mil por dia, às quais se se juntaram cerca de cinco mil que diariamente garantiram o funcionamento do recinto. 

Com perto de 90 mil publicações no Instagram e mais de 11 mil menções no Twitter, esta edição do Alive mostrou também que os festivais já não se vivem só fora das redes sociais.

 

Fãs de Depeche Mode de telemóveis em punho a revelar que estão "alive" também nas redes sociais

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Em 2018 o festival regressa ao Passeio Marítimo de Algés, nos dias 12, 13 e 14 de julho.