Os Biffy Clyro não são nem estrantes em território nacional, nem no festival NOS Alive. Esta quinta-feira foi a terceira vez que os três escoceses estiveram no Passeio Marítimo de Algés, e o concerto que deram já elevou a fasquia para as bandas que ainda vão passar por ali até sábado.

Com o sétimo álbum, Ellipsis, com lançamento marcado para esta sexta-feira, os britânicos vieram a Lisboa apresentar novos temas, alguns já desvendados nas últimas semanas, misturados com os “clássicos” das banda, que o público mostrou conhecer.

Antes de subirem ao palco principal do festival, os baterista e baixista da banda, os irmãos James Johnston e Ben Johnston, estiveram à conversa com a TVI24 e contaram-nos tudo sobre o novo trabalho, as passagens por Portugal e os planos para o futuro.

 

TVI24: Em primero lugar, bem-vindos de volta a Portugal. Como se sentem?

James Johnston: Fantásticos. Já passaram alguns anos desde que estivemos aqui, temos muitas boas recordações deste festival e do público português. Parece que passou até mais tempo do que apenas alguns anos, mas estamos muito contentes por estar de volta aqui. Esperamos que corra tão bem como das últimas vezes.

Ben Johnston: Estou muito entusiasmado por estar aqui. As memórias são muito boas, e o cartaz aqui é sempre muito bom. Tivemos sorte porque hoje atuamos cedo e assim podemos ver algumas das outras bandas. É um alinhamento muito bom. Por acaso partilhámos o avião com o Tom York (dos Radiohead) que atua amanhã, que é quando partimos. Mas até lá vamos desfrutar do festival e de Lisboa.

Quanto ao público, esperam o mesmo entusiasmo das últimas vezes?

BJ: Esperamos sempre que o público esteja entusiasmado. Cabe-nos a nós, à banda, fazer com que gostem do espetáculo. É o nosso trabalho criar uma atmosfera em que o público se sinta bem. Esperamos apenas que não estejam cansados por terem estado ao sol todo o dia.

Vamos falar um pouco sobre o novo álbum, que sai amanhã. Entusiasmados?

BJ: Muito. Estávamos muito ansiosos, porque assim que terminas um trabalho queres que todos possam ouvi-lo logo. É uma espera longa e estamos muito contentes que finalmente tenha terminado e que os fãs possam finalmente ouvir os novos temas e possam introduzi-los nas suas vidas. Achamos que vão gostar, temos muito orgulho [no novo álbum], e ficámos muito contentes com o resultado assim que o ouvimos pela primeira vez finalizado.

Vamos poder ouvir partes dele esta noite?

JJ: Sim, pelo menos quatro ou cinco músicas. Estamos a introduzir os novos temas lentamente nos alinhamentos. Têm resultado bem ao vivo, o público tem gostado. É como se tivéssemos terminado os trabalhos de casa e agora estivéssemos à espera dos resultados. Esperamos que gostem, porque sabe muito bem quando a audiência gosta do trabalho que nós realmente adoramos.

Consideram este novo trabalho muito diferente dos anteriores? É o início de uma nova trilogia (como já nos habituaram)?

JJ: Exatamente. É o início de uma nova trilogia. Estamos num período de rejuvenescimento como banda. Aplicámos no estúdio muito do que aprendemos no passado. Não quisemos que fosse apenas mais um registo do som que uma banda gravou num estúdio, por isso usámos muitas técnicas modernas, aplicámos conceitos do hip-hop, para fazer um album mais moderno, melhor.

Exatamente sobre essas influências. De que forma retiraram conceitos do hip-hop e os aplicaram na vossa banda, uma banda de rock.

JJ: Acho perfeitamente possível, se fores corajoso e não te preocupares muito com as consequências. Para nós, uma das influências foi o Kanye West, que enquanto pessoa pode ser um pouco difícil, mas a sua música é bastante abrasiva, e alguns dos seus sons são muito fortes... Não pensámos muito, deixámo-nos ir.

Quais são os vossos temas preferidos até agora?

JJ: A minha preferida é provavelmente a “Friends and Enemies”. Acho que é uma música “única”. É um tema diferente de tudo o que fizemos até agora.

BJ: Para mim é a “Small Wishes”. É uma das músicas que já tinha algum tempo e nunca entrou num álbum.  É uma música que fala de elementos exteriores, em vez do interior, e até agora é a minha preferida. Hoje, porque muda regularmente.

A cada trabalho foram alcançando cada vez mais fãs e subiram sempre nos tops de vendas. Já chegaram ao número um, não podem subir mais, esperam pelo menos repetir a façanha?

BJ: É muito difícil tentar adivinhar isso. Acho que é um álbum que vai dividir opiniões. Muita gente vai desejar que tivéssemos ficado mais “colados” aos anteriores, mas tivemos de mudar, e acho que muitas das pessoas que não gostaram dos anteriores talvez venham a gostar agora. Não podemos ultrapassar o número um, como conseguimos no passado, por isso só podemos esperar por repetir, pelo menos.

Pelos singles apresentados, "Ellipsis" parece ser um trabalho mais enérgico...

JJ: Acho que algumas das músicas são mais esquizofrénicas, de certa forma. Nós como pessoas não somos (risos), mas o álbum tem um tom mais sóbrio. Porém, noutras músicas optamos por um lado mais delicado, mais melódico, até porque não somos uma banda de “machos”, também cantamos sobre o que nos vai no coração. Mas sim, ainda temos guitarras pesadas, e riffs pesados, mas de uma forma mais diversificada. Acho que pode fazer com que seja difícil de nos definir como banda, mas nós gostamos de confundir as pessoas.

Voltando às vossas passagens por Portugal, há alguma situação invulgar ou caricata que se tenha passado por cá e gostassem de partilhar?

JJ: Sempre que viemos a Lisboa, por alguma razão, a nossa bagagem desaparece. Esta é a primeira vez que isso não acontece. É a primeira vez que vestimos as nossas próprias roupas e não temos de andar a pedir emprestadas ou a vestir o que aparece. Não é a história mais interessante, mas é a única que me ocorre agora.

E uma mensagem para os fãs portugueses?

JJ: Queremos agradecer todo o vosso apoio. Não temos vindo a Portugal tantas vezes como gostaríamos, mas achamos que isso vai mudar nos próximos anos. Por favor comprem o novo álbum (risos). Esperamos que gostem, e que se sintam parte da família. Voltamos brevemente.