O guitarrista e compositor norte-americano Lou Reed morreu, este domingo, aos 71 anos, noticia a revista «Rolling Stone». A causa da morte do fundador da banda de culto Velvet Underground ainda não foi divulgada, mas o músico, que agora atuava a solo, submeteu-se a um transplante de fígado em maio deste ano.

Dias após a cirurgia, Laurie Anderson, mulher do músico que marcou meio século do rock, disse ao jornal inglês «The Times» que o estado do marido era grave: «Ele estava a morrer. Foi uma cirurgia séria, mas correu bem».

Na ocasião, Lou Reed enviou uma mensagem aos fãs através do site oficial. No texto, dizia sentir-se «mais forte do que nunca». «Mal posso esperar para estar nos palcos e compor novas canções para me ligar com os corações e espíritos», escreveu. Mas a 30 de junho, Reed foi internado de urgência com um quadro de desidratação.

Lewis Allan Reed nasceu a 2 de Março de 1942 no bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, mas cresceu na região de Long Island. Originário de uma família judaica, Lou Reed aprendeu a tocar guitarra ao ouvir rádio na década de 1950 quando ainda andava no colégio. Foi nessa altura que Lou Reed sofreu uma das experiências mais traumáticas e que seria tema de canções ao longo de toda a carreira: bissexual assumido, os pais de Lou Reed submeteram o filho a um tratamento de choque para tentar supostamente curá-lo.

Depois de deixar o colégio e a casa dos pais, Lou Reed foi para a Universidade de Syracuse, onde tirou o curso de jornalismo. Nessa época, Reed passou a apresentar um programa de rádio que tocava sobretudo doo wop, rhythm and blues e jazz. O gosto por esse estilo de música definiria muitas das técnicas de guitarra desenvolvidas por Lou Reed ao longo da vida. Em 1964, formou-se e iniciou logo carreira artística.

Velvet Underground e cultura pop

Após um curto período a trabalhar como compositor da Pickwick Records, uma pequena produtora discográfica de Nova Iorque, Reed foi apresentado a John Cale, um músico galês que tinha acabado de se mudar para Manhattan com a intenção de aprender música clássica. Cale ficou impressionado com uma música composta por Reed em que ele tinha afinado todas as cordas da guitarra na mesma nota.

A amizade com Cale fez com que dividissem uma casa em Manhattan e iniciassem um processo criativo que seria responsável por uma das bandas mais importantes para a origem do punk rock nos Estados Unidos: Velvet Underground.

Com mais de vinte discos no currículo, Lou Reed era admirado como um dos melhores poetas da música americana, além de crítico mordaz da sociedade do seu país. Reed nunca vendeu muitos discos, mas o trabalho que desenvolveu teve repercussões desde os anos 60, quando liderava o grupo Velvet Underground, uma invenção também do artista plástico Andy Warhol, um dos pais da arte pop.

Assim como Warhol chocou o mundo com quadros que reproduziam latas de sopa ou rostos famosos, os Velvet Underground aterraram na música a falar de temas «indigestos» para a época. Enquanto os jovens da geração hippie cantavam a paz e o amor, as letras dos Velvet falavam de drogas pesadas, aberrações sexuais e violência urbana. O próprio Lou Reed lutou durante anos contra o vício da heroína. Os Velvet lançaram seis discos que não venderam quase nada, mas influenciaram todo o rock dos anos 70. Uma anedota sobre os Velvet refere que «apenas mil pessoas ouviram os discos, mas cada uma delas fundou uma banda de rock».



Depois do fim dos Velvet Underground, Lou Reed afastou-se da música. Regressou em 1972, pela mão de David Bowie, que lhe produziu o LP «Transformer», considerado um dos melhores discos pop daquela década. Nesse LP, Lou Reed já estabelecia os fundamentos de uma carreira a solo e de poesia. As canções que compunha eram frequentemente lúgubres, povoadas por personagens marginalizados da sociedade.