Nascido no Irão, mas há mais de 30 anos em Portugal, Shahryar Mazgani cresceu em Setúbal depois de a sua família ter deixado o país natal. Seguidores da religião bahá'i, os pais do músico foram obrigados a procurar uma vida melhor fora de um Irão intolerante para com outras crenças após a Revolução Islâmica de 1979.

«Os meus pais decidiram vir para Portugal precisamente por serem bahá'i, uma minoria perseguida de forma muito violenta nessa altura, e que continua a ter a vida muito dificultada nos dias que correm com os jovens bahá'i sem acesso às universidades, por exemplo», explicou Mazgani em entrevista ao tvi24.pt.

O músico, que chegou ao nosso país com apenas 5 anos, é também ele praticante da fé bahá'i. Uma religião fundada na Pérsia do século XIX, e que dá importância à unidade espiritual da humanidade. Mazgani lamenta as «histórias muito dramáticas e difíceis» que continuam a assombrar a população bahá'i num Irão atualmente liderado pelo aiatola Ali Khamenei e pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

«Esta realidade que reina neste momento no Irão é uma que me entristece. Imagino que, se as coisas se alterassem de alguma forma, se tornasse para mim uma viagem prioritária, para conhecer melhor [o país]», admitiu Mazgani, que manteve o contacto com a cultura persa através da língua farsi, da música e da literatura, mas que nunca mais chegou a pisar solo iraniano.

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No entanto, o músico acredita num futuro melhor que leve à mudança de mentalidades no Irão e no resto do mundo. Para Mazgani, as crises combatem-se com muito otimismo.

«Tenho esperança. É uma coisa morosa, com certeza, mas tenho esperança. E tenho esperança para o Irão, e tenho esperança para o mundo e para a humanidade. A palavra é obsoleta, mas sou otimista.»