O violinista Vasco Barbosa, de 85 anos, morreu no sábado passado, em Lisboa, disse esta segunda-feira à agência Lusa uma fonte do Teatro Nacional de S. Carlos, onde o músico foi reconhecido como "concertino honorário" da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

A secretária de Estado da Cultura, Isabel Botelho Leal, em comunicado também divulgado esta segunda-feira, “lamenta profundamente o falecimento de Vasco Barbosa”, ao qual se referiu como “um dos mais importantes violinistas portugueses do século XX e concertino da Orquestra Sinfónica Portuguesa”.

Vasco Barbosa tirou o curso de violino no Conservatório Nacional de Lisboa, foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura e, depois, da Fundação Calouste Gulbenkian, na Suíça, França e Estados Unidos, tendo estudado com o violinista e compositor romeno George Enescu, o violinista alemão Georg Kulenkampff e o pedagogo arménio Ivan Galamian.

Filho do violinista Luís Barbosa, apresentou-se em público, pela primeira vez, aos sete anos, iniciando uma carreira que passou pelos principais palcos europeus – Espanha, Itália, Suíça, França, Áustria, Alemanha, Roménia, Grécia –, mas também pelo Brasil, Estados Unidos, África e países asiáticos.

Como solista, atuou em Paris, em diferentes salas na Alemanha, no Musikverein, em Viena, em Barcelona e no Reino Unido, no Palácio Real de Windsor.

Foi concertino (violino solista) da antiga Orquestra Sinfónica da RDP (ex-Emissora Nacional), da Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, que lhe atribuiu o título de “concertino honorário”.

Vasco Barbosa foi distinguido com os prémios Guilhermina Suggia, Moreira de Sá, Almada, Secretaria de Estado da Cultura (1972), Óscar da Imprensa e o Prémio Ribeiro da Fonte, em 2001, quando completou 70 anos, em reconhecimento de "toda uma vida dedicada à música".

Foi condecorado pelo Estado Português com a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, à semelhança de seu pai Luís Barbosa, distinguido com o Grau de Cavaleiro, em 1928.

Músico fundador do Quarteto Atalaya, Vasco Barbosa constituiu um duo com a irmã, a pianista Grazi Barbosa, e um outro com a violinista Lígia Soares.

Em 2015, a Camerata Atlântica e a Academia Portuguesa de Artes Musicais criaram o Concurso Nacional de Cordas “Vasco Barbosa”, para jovens intérpretes, em homenagem ao percurso musical do violinista, que também lecionou, nomeadamente na Academia de Música de Santa Cecília.

A divulgação de obras de compositores portugueses dominou o percurso de Vasco Barbosa, destacando-se, entre as suas gravações, o Concerto para violino, de Luís de Freitas Branco, e as Sonatas para violino de Frederico de Freitas, Fernando Lopes-Graça e Ruy Coelho, que partilhou com Grazi Barbosa e a violoncelista Maria José Falcão.

Uma gravação ao vivo do Concerto para violino de Johannes Brahms, realizada em Lisboa, em 1965, com a antiga Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, sob a direção do maestro Fritz Rieger, foi apresentada, pela crítica da época, como uma das primeiras escolhas entre as edições em disco então disponíveis, daquela obra do compositor alemão.

Vasco Barbosa chegou a ser conhecido como “o violinista português mais importante da sua geração”, à semelhança de seu pai, Luís Barbosa.