O barítono russo Dmitri Hvorostovsky morreu esta quarta-feira, em Londres, onde vivia, depois de ter sido diagnosticado com um tumor cerebral em 2015, que o levou a abandonar os palcos meses antes da morte.

De acordo com a agência que o representava, o cantor “morreu em paz”, rodeado pela família.

Que o calor da sua voz e o seu espírito estejam sempre connosco”, acrescentou o comunicado.

Considerado um dos mais relevantes cantores de ópera da sua geração, Hvorostovsky encabeçou peças nas maiores salas do mundo, tendo passado pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde cantou repertório de câmara de compositores russos, como os ciclos "The Nursery" e "Songs and Dances of Death", de Modest Mussorgsky.

O diretor-geral do Teatro Bolshoi, Vladimir Urin, considerou a morte do barítono “um desastre”, citado pela agência Tass, lamentando que Hvorostovsky nunca tivesse chegado a atuar naquele espaço.

Por seu lado, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, classificou o barítono um “tesouro da cultura russa e mundial”.

O crítico britânico Norman Lebrecht, da BBC3, recordou hoje o barítono russo, como "o melhor 'Eugene Onegin' da atualidade, o Don Giovanni mais sensual e o dominante Rigoletto", numa referência às suas interpretações dos protagonistas de Tchaikovsky, Mozart e Verdi.

Nascido na cidade de Krasnoyarsk, na Sibéria, Hvorostovsky desenvolveu uma carreira de renome desde a década de 1980, depois de escapar a uma vida nas ruas, enquanto adolescente, e de conseguir ultrapassar um problema com o álcool que podia ter posto fim a um percurso aplaudido pela crítica e pelos públicos que o viram e ouviram, como recorda o New York Times.

Em 1989, venceu a competição internacional de canto lírico, em Cardiff, no Reino Unido, batendo o barítono Bryn Terfel.

Segundo a biografia patente no 'site' oficial, o Hvorostovsky foi o primeiro cantor de ópera a realizar um concerto a solo com orquestra e coro na praça Vermelha, em Moscovo, que foi transmitido em mais de 25 países.

Em maio, apresentou-se na Metropolitan Opera Gala, em Nova Iorque, onde surpreendeu o público presente com uma aparição inesperada em palco, para cantar "Cortigiani, vil razza dannata", do "Rigoletto", de Verdi. No mês anterior, cancelara a participação no elenco de "Eugeni Oneguin", de Tchaikovsky, naquele teatro.

Em junho, atuaria pela última vez, em Krasnoyarsk, a sua cidade natal.