Entrevista: Moonspell e as duas faces da mesma moeda
A mais conhecida banda portuguesa de metal falou sobre o lançamento do álbum duplo, «Alpha Noir» e «Omega White»
Por: João Carneiro da Silva/ Luís Silva (imagem) | 2012-05-11 18:39São já 20 anos de carreira, duas mãos cheias de discos e um sem número de concertos por todo o mundo. E a partir de agora,
os Moonspell podem celebrar mais uma conquista com o lançamento do seu primeiro álbum duplo. «Alpha Noir» e «Omega White»
são as duas faces da mesma moeda da mais conhecida banda portuguesa de metal.
«Temos este impulso dualista por natureza:
a nossa música é solar e lunar, atmosférica mas potente. A única coisa que ainda não tínhamos feito era fazer com que as coisas
crescessem dentro do seu próprio universo», explicou Fernando Ribeiro em entrevista ao IOL Música.
«O conceito
aplicou-se aqui muito bem pela natureza lírica e musical dos próprios discos, que são tão distintos como o Alfa e o Ómega
(a primeira e última letras do alfabeto grego) podem ser», contou o vocalista dos Moonspell.
«Entre
os Gift e os Moonspell, venha o Fausto e escolha»
A composição do nono álbum de estúdio começou há quatro
anos, mas a banda soube manter o rumo certo, mesmo que pelo meio Fernando Ribeiro tenha participado no projeto Amália Hoje
e os Moonspell tenham percorrido o país com uma digressão acústica.
«Isso teve a sua complicação, mas nós também
nunca fomos um grupo de pessoas que se amedrontasse com um certo número de tarefas. Acho que isso sempre nos distinguiu, o
facto de que quando temos desafios nós aceitamo-los e tentamos tirar o melhor deles», afirmou Pedro Paixão, guitarrista, teclista
e co-produtor dos dois novos discos com o dinamarquês Tue Madsen.
Depois de vários anos a gravar no estrangeiro,
desta vez os Moonspell decidiram trabalhar em casa durante grande parte do processo de criação do disco.
«O fator
stress estava muito menor e estávamos mais relaxados porque tínhamos realmente mais tempo para fazermos as coisas.
E isso foi uma experiência que já não tínhamos desde o [EP] "Under The Moonspell", de 1993», recordou o baterista Mike Gaspar,
enaltecendo a importância de «poder voltar a casa e poder usar esse conforto» de gravar um disco de forma menos apressada.
Na
hora de criar as canções, o objetivo foi produzir temas infalíveis, como revelou o guitarrista Ricardo Amorim: «Tínhamos de
ter a certeza que todas as músicas que lá estavam [no disco] seriam, como diz o Fernando, à prova de bala. Portanto, nada
que a gente ouvisse depois e achasse que podia ter ficado melhor».
Fernando Ribeiro destacou o trabalho de voz em
estúdio com Pedro Paixão. «Estivemos aqui longas noites, ele é um produtor feroz. Muitas coisas que eu fazia já seriam boas
para outros produtores, mas para o Pedro não», contou, recordando o desafio no single de apresentação em transformar «Lickanthrope»
numa canção «raivosa» e com uma voz «a morder».
Moonspell
voltam a dar concerto em alto mar
Mas para um elemento em especial, o novo disco trouxe um desafio diferente:
depois de nove anos como baixista nas digressões, Aires participou nas gravações de um álbum dos Moonspell.
«Quando
recebi esse voto de confiança, tentei corresponder da melhor maneira possível - não ser apenas mais um baixo que foi gravado.
São já nove anos com os Moonspell, mas fiquei a conhecer ainda melhor os músicos com quem toco há este tempo todo», disse
Aires Pereira.
O resultado final de «Alpha Noir» e «Omega White» já está nas lojas e poderá ser escutado ao vivo
no concerto deste sábado no Campo Pequeno. O espetáculo arranca às 21h00 e estará dividido em duas partes distintas com a
interpretação integral dos dois novos discos juntamente com temas inevitáveis em qualquer alinhamento dos Moonspell.
Na
sua maior produção de palco, o quinteto estará acompanhado do coro Crystal Mountain Singers e do grupo de cordas e percussão
Opus Diabolicum.

