O álbum «Amália de porto em porto», que reúne inéditos gravados por Amália Rodrigues no México, na década de 1950, descobertos pelo catedrático Miguel Ángel Vera, é apresentado esta quinta-feira em Lisboa.

«As gravações são parte de uma pesquisa. Certa vez, numa conversa com Amália, lembrámos que havia muita coisa gravada, em muitos países. Gravações muito boas, feitas em estúdios de rádios, mas não para editar em discos, e quando Amália morreu [em 1999], muitos 'amalianos' começaram a procurar as gravações perdidas», contou à Lusa Miguel Ángel Vera, catedrático da Universidade de Santiago do Chile.

O álbum, editado pela Valentim de Carvalho, é apresentado hoje, às 18:00, por Miguel Ángel Vera, no restaurante Maria Mouraria, em Lisboa.

Entre as 16 gravações constam dois temas em português, «Lisboa não sejas francesa», que Amália gravou com orquestra, iniciando a interpretação pelo estribilho, e «Toiro, eh toiro», no qual Amália «acrescentou uma estrofe que não se lhe conhece, e que não incluiu numa gravação anterior em Paris».

Nos restantes temas cantados em espanhol, Ángel Vera salientou o facto de Amália os ter cantado «com o sotaque do povo».

«O sotaque popular mexicano, algo que ninguém tinha feito, fica especialmente bem na voz de Amália», asseverou o investigador.

Dos temas em espanhol, regista-se a ranchera «Fallaste Corazón», que Amália manteve no repertório até ao final da carreira e que apresentava como «um fado mexicano», e canções populares como «Por un amor», «La cama de piedra», «Gritenme piedras del campo», «Mala suerte», «Para ti», «Plegaria» e «Não me quieres tanto».

Este é, para Ángel Vera, «um período interessantíssimo da carreira de Amália, que é ainda pouco conhecido».

Na opinião do investigador, «Amália é parte de um diálogo artístico-musical que iniciou na América do Sul, entre o fado e a 'ranchera'».