A história de amor entre o público português e os The National teve um novo capítulo na noite de quinta-feira, desta vez num novo palco. Depois da passagem pelos principais festivais nacionais e por salas como a Aula Magna, o Coliseu do Porto e o Campo Pequeno, foi a vez da MEO Arena receber a banda norte-americana.

E, embora o cenário não fosse o mais propício - com o palco «puxado» para o meio do pavilhão, e, ainda assim, muitas clareiras e cadeiras vazias -, a verdade é que volvidos dois anos desde o último encontro, banda e público voltaram a encontrar-se entre tiros certeiros ao coração como «Fake Empire», «Mr. November» ou «Vanderlyle Crybaby Geeks».

Mas foi até com os novos temas de «Trouble Will Find Me», disco lançado em maio, que os The National construiram o início do concerto em Lisboa. «Don't Swallow The Cap» e «I Sould Live in Salt» logo no arranque passaram no teste «ao vivo» e mostraram que os fãs também já conhecem bem o novo álbum.

Num palco eficazmente trabalhado a nível visual, sem exageros nem megalomanias, mas com luz e cor perfeitas a acompanhar ora a melancolia, ora a raiva, das canções, os The National voltaram a apresentar-se em Portugal em formato de septeto, com dois trompetistas a acompanharem o quinteto base - Matt Berninger (voz), Aaron e Bryce Dessner (guitarras), e Bryan (bateria) e Scott Devendorf (baixo).

Cumprindo o papel de um dos singles mais badalados do álbum anterior, «Bloodbuzz Ohio» foi outro dos momentos mais festejados na primeira metade de um concerto que começou a aquecer com pequenas incursões pela discografia mais «antiga» dos norte-americanos. «Squalor Victoria» (2007) e «Abel» (2005) começaram também a puxar por Matt Berninger, que em palco se entrega às canções mais intensas como se as estivesse a viver pela primeira vez.

A Portugal, os The National trouxeram também «Lean», a canção escrita para a banda-sonora de «Os Jogos da Fome: Em Chamas». Um sinal que, juntamente com o terceiro lugar no top de vendas nos EUA para «Trouble Will Find Me», mostra que também as bandas de indie rock têm direito a crescer na popularidade sem que isso afete a sua integridade.

É que apesar da ascensão na carreira, a banda norte-americana não esquece o passado e Matt Berninger fez mesmo questão de o recordar em Lisboa. «Quando ainda ninguém nos prestava atenção, vocês fizeram-no. E isso significa muito para nós», exclamou o vocalista, agradecendo o apoio e as sempre calorosas receções dos fãs portugueses desde os primeiros concertos no nosso país.

Por esta altura, Matt já tinha «refrescado a voz» com uns quantos copos de vinho, mas acreditamos que a «declaração» foi sincera. E com «Graceless», «About Today» e uma «Fake Empire» cantada a alto e bom som pela plateia e com as guitarras dos irmãos Dessner empunhadas aos céus, a primeira saída de cena da banda foi engolida numa ovação.

No regresso para os quatro temas finais, e enquanto Matt não encontrava uma nova garrafa de vinho, o vocalista dos The National fez finalmente a visita da praxe à plateia em «Mr. November» (há canção melhor para ser partilhada com os fãs?) antes de «benzer» os «fiéis» com o tão requisitado néctar (vinho verde, vamos arriscar).

Na ponta da língua dos fãs estavam ainda as letras da explosiva «Terrible Love» e da já habitualmente desligada da corrente elétrica «Vanderlyle Crybaby Geeks», a ecoar num bonito coro que voltou a juntar banda e público.

No final nem foram precisas promessas de regresso. Quando as saudades apertarem, eles cá voltarão.

1. Don't Swallow The Cap

2. I Should Live in Salt

3. Secret Meeting

4. Bloodbuzz Ohio

5. Demons

6. Sea of Love

7. Hard To Find

8. Afraid of Everyone

9. Squalor Victoria

10. I Need My Girl

11. This Is The Last Time

12. Lean

13. Abel

14. Slow Show

15. Apartment Story

16. Pink Rabbits

17. England

18. Graceless

19. About Today

20. Fake Empire

21. Sorrow

22. Mr. November

23. Terrible Love

24. Vanderlyle Crybaby Geeks