Seis elementos das Pussy Riot publicaram uma carta aberta, e anónima, explicando que Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova já não fazem parte do grupo ativista russo, uma vez que se «esqueceram» dos ideais por que lutaram antes de serem condenadas à prisão.

Explicando estarem felizes pela libertação de Masha e Nadia em dezembro, e orgulhosos pela resistência das duas mulheres na prisão, os seis anónimos declararam que a colaboração com organizações como a Amnistia Internacional não é compatível com as ações das Pussy Riot.

«Infelizmente, elas estão a deixar-se levar pelos problemas nas prisões russas, o que fez com que esquecessem completamente as aspirações e os ideais do nosso grupo: o feminismo, a resistência separatista, a luta contra o autoritarismo e o culto da personalidade - tudo isso, por acaso, que foi a causa do seu aprisionamento injusto», escreveram na carta citada pela BBC News.

Apesar de as próprias terem anunciado que já não faziam parte das Pussy Riot, logo após a sua libertação, os seis elementos do grupo ativista sublinharam este facto, lamentando que a participação de Masha e Nadia no concerto da Amnistia Internacional tenha sido feita com o recurso ao nome Pussy Riot.

«O cartaz do concerto até mostrava um homem com uma balaclava e uma guitarra elétrica, com o nome Pussy Riot. Uma jogada inteligente dos promotores para cobrarem bilhetes caros», lê-se no comunicado.

«As nossas atuações foram sempre "ilegais" e realizadas em locais públicos inesperados e não destinados para o entretenimento tradicional.»

Reiterando a incompatibilidade dos novos papéis das duas mulheres com a luta das Pussy Riot, os seis anónimos desejaram as maiores felicidades a Masha e Nadia, revelando ainda que estas têm ignorado as suas tentativas de contacto.

«Sim, perdemos duas amigas, dois elementos ideológicos, mas o mundo ganhou duas corajosas, interessantes e controversas defensoras dos direitos humanos - lutadoras pelos direitos dos prisioneiros russos. No entanto, não as podemos felicitar pessoalmente porque elas recusam-se a ter qualquer contacto connosco.»