Marés Vivas: final festivo com James
Riders On The Storm foram «tiro ao lado» no último dia do festival
Por: Redacção/ João Carneiro da Silva | 2008-07-20 07:17A edição 2008 do festival Marés Vivas terminou na madrugada deste domingo ao som de «Laid», êxito incontornável dos britânicos
James. Já passava das 03h00 quando várias dezenas de fãs juntaram-se em palco à banda liderada por Tim Booth para um final
verdadeiramente festivo.
Perante uma plateia de 20 mil pessoas - a segunda enchente em três dias de festival -, os
James recordaram hits dos anos 1990, sem, no entanto, terem receio de apresentar vários temas que compõem o mais recente
registo de originais, «Hey Ma». O pop rock fácil de acompanhar com palmas tanto conquistou os festivaleiros em «Sit Down»,
de 1989, como na faixa título do novo álbum, inspirada no 11 de Setembro e nas «trapalhadas» de George W. Bush e Tony Blair
em relação ao Iraque.
No concerto mais esperado do terceiro dia de festival, o trompetista dos James, Andy Diagram,
decidiu marcar o regresso da banda ao Porto com uma indumentária bem original. Um longo vestido vermelho de mulher foi a peça
de roupa escolhida, para espanto de muitos.
Riders On The Storm em baixa
Os concertos no palco principal
tiveram início pelas 22h00, pouco depois da confirmação de que o festival regressa ao Cabedelo nos dias 16, 17 e 18 de Julho
de 2009. A voz da norte-americana Macy Gray foi a primeira a ser ouvida. A cantora apresentou-se no Marés Vivas com glamour,
e o vestido cor de salmão assentou-lhe melhor do que o do trompetista dos James. Os enormes brincos «gritavam» «paz e amor»,
e foi nessa toada que Macy Gray se dirigiu ao público por várias vezes, espalhando a mensagem através do R&B e da soul.
«Creep»,
dos Radiohead, e «Da Ya Think I'm Sexy», de Rod Stewart, foram dois brindes extra num dos bons concertos do festival. O mesmo
não se poderá dizer da actuação dos Riders On The Storm, formados pelos Doors Ray Manzarek (teclas) e Robby Krieger (guitarra),
e agora com o vocalista Brett Scallions (ex-Fuel), após a saída de Ian Astbury, dos The Cult.
Faltou sempre «qualquer
coisa» aos Riders, especialmente na voz de Scallions (disse que estava doente), que se mostrou sem pujança suficiente. A comparação
com a lenda Jim Morrison deve ser evitada a todo o custo, mas é conclusão inevitável de que Ian Astbury foi o melhor vocalista
desta banda de covers dos The Doors.
Ainda assim, o público preferiu ignorar o óbvio, dançando ao som de clássicos
como «Break on Through (To The Other Side)», «Love Me Two Times» e «Light My Fire». Mas a verdade é que este foi decididamente
um «tiro ao lado».

