Mão Morta em Lisboa: «sempre a rock & rollar»
Cinema São Jorge recebeu digressão que marca o regresso da banda bracarense aos concertos de rock
Por: Redacção/ João Carneiro da Silva | 2009-04-02 04:35É caso para dizer que as noites de Lisboa são noites de rock (& roll e outras variações) depois do concerto que marcou
o regresso dos Mão Morta à capital.
Se o ano passado a banda de Braga apresentou o deliciosamente macabro «Maldoror»
na Culturgest, já o espectáculo desta quarta-feira no São Jorge esteve inserido na digressão «Ventos Animais» e mostrou uma
máquina bem oleada e que está de volta aos típicos concertos de rock.
Adolfo Luxúria Canibal (voz), Miguel Pedro
(bateria), António Rafael (guitarra e teclas), Sapo (guitarra), Vasco Vaz (guitarra) e Joana Longobardi (baixo) apresentaram
um alinhamento em formato best of com o que de melhor a banda fez ao longo dos 25 anos que celebra em 2009. E sem receio
de jogar o trunfo «Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)» logo ao segundo tema da noite.
Perante uma plateia com vontade
de comunicar - especialmente um fã que mais tarde iria dar trabalho aos seguranças do concerto - o vocalista dos Mão Morta
deixou o aviso: «Estão a exercer demasiado o vosso direito à expressão. O que é uma chatice, porque quando isso acontece,
a expressão perde-se». Palavras sábias, mas que não impediram os típicos pedidos de canções.
Vídeo:
O «manifesto
contra o trabalho» de «Tetas da Alienação», o velhinho «E Se Depois» (1988) e um «Tu Disseste» com refrão entoado em coro
pelos fãs, deram continuação a um arranque capaz de matar as saudades ao público lisboeta, que já não recebia os Mão Morta
em concerto desde 2005.
A violência crua de «Bófia» surgiu em forma de presente escolhido pela aniversariante Joana
Longobardi. A baixista teve direito a ouvir os parabéns cantados pela audiência, mas certamente não estava à espera quando
o tal fã mais exaltado irrompeu palco dentro para lhe dar um abraço e vários beijos - tudo antes de ser levado de volta para
a plateia por um segurança.
«Em Directo (Para a Televisão)», «Penso Que Penso» e «Barcelona» continuaram a deitar
achas para a fogueira de um concerto que começava já a aquecer a bela, ainda que desajustada (cadeiras e lugares marcados
para um concerto de rock?), sala.
«1º de Novembro» foi entoado pelo público em forma de cântico oficial dos Mão Morta,
qual equipa de futebol e respectiva claque. Adolfo anunciava as últimas oportunidades para se dançar e cantar, mas a banda
ainda tinha duas mãos cheias de canções e o concerto estava longe do fim.
Até à primeira saída de palco, a pura transpiração
punk de «Quero Morder-te as Mãos» e a segunda tentativa (desta vez falhada e com direito a expulsão) do animado fã em subir
ao palco caracterizaram o espírito rock do concerto, juntamente com «Cão da Morte», tema obrigatório e um dos mais cantados/rosnados
da noite.
Para a memória ficam também os dois encores, bem artilhados com «Chabala», «Charles Manson», «Anarquista
Duval», «Velocidade Escaldante» (em estreia nesta digressão) e um «Oub'Lá» já com toda gente em pé, em perfeita comunhão com
a banda.
Um concerto que fez mais do que recordar 25 anos de carreira de um dos expoentes máximos do rock alternativo
em Portugal. Os Mão Morta estão aí para durar.
Alinhamento:
1. Ventos Animais
2. Budapeste (Sempre a
Rock & Rollar)
3. Tetas da Alienação
4. E Se Depois
5. Arrastando o Seu Cadáver
6. Tu Disseste
7. É um
Jogo
8. Bófia
9. Em Directo (Para a Televisão)
10. Amesterdão (Have Big Fun)
11. Penso Que Penso
12. Barcelona
(Encontrei-a na Plaza Real)
13. 1º de Novembro
14. Quero Morder-te as Mãos
15. Vamos Fugir
16. Lisboa (Por
Entre as Sombras e o Lixo)
17. Cão da Morte
Encore 1
18. Chabala
19. Charles Manson
20. Anarquista
Duval
Encore 2
21.Velocidade Escaldante
22. Oub'Lá

