Os Madredeus abrem esta segunda-feira um novo capítulo na história do grupo com o álbum «Metafonia», em que introduzem novos instrumentos e duas novas vozes, mas onde a matriz continua a ser a mesma desde há vinte anos, noticia a Lusa.

«Metafonia» é um duplo álbum com 19 canções, entre inéditos e temas antigos dos Madredeus, grupo de música portuguesa que renasce com Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade, depois da saída, em finais de 2007, de Teresa Salgueiro, Fernando Júdice e José Peixoto.

À guitarra clássica de Pedro Ayres e aos sintetizadores de Carlos Maria Trindade acrescentam-se agora as vozes de Mariana Abrunheiro e Rita Damásio, e os instrumentistas Ana Isabel Dias (harpa), Jorge Varrecoso (violino), Ruca Rebordão e Babi Bergamini (percussão e bateria), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica) e Gustavo Roriz (baixo).

São os Madredeus e A Banda Cósmica, um projecto de câmara, mas também amplificado para chegar a mais pessoas.

Essência dos «novos» Madredeus

A essência do som dos «novos» Madredeus é produzida pela guitarra clássica, harpa, sintetizadores e vozes e o resultado de «Metafonia» é necessariamente diferente, mas a mudança não é radical nem para Pedro Ayres nem para Carlos Maria Trindade, músicos com passado musical comum anterior aos Heróis do Mar.

Parte das canções inéditas de «Metafonia» foram retiradas do largo repertório dos Madredeus e seriam para integrar um disco sucessor de «Amor Infinito», não tivesse ocorrido a cisão no grupo, e outras foram trabalhadas em estúdio já com as duas novas vozes femininas.

Encontrar alguém que não cante como Teresa Salgueiro

Segundo Pedro Ayres Magalhães, a escolha de Mariana Abrunheiro e Rita Damásio foi «bastante difícil, exigiu muita tenacidade», até porque o grupo não queria «encontrar uma pessoa que cantasse como a Teresa».

«Quando se soube que a Teresa ia sair do grupo, nós recebemos imensas candidaturas de pessoas que nos escreveram a sugerirem serem ouvidas, porque era o sonho delas fazerem parte do grupo. Foi uma grande surpresa, não estávamos nada à espera», reconheceu o músico.

«Evitar o culto da personalidade»

Na nova formação, Pedro Ayres Magalhães garante que, tal como no passado, se tenta «evitar o culto da personalidade»: «o grupo sempre foi apresentado como uma colectividade, como uma oficina de música».

Sobre o futuro, não dá garantias: «É um grupo produzido por nós próprios, não temos contrato com editoras. Nem sequer somos pessoas com emprego precário, somos desempregados. Nem temos certeza de que vamos fazer muitas tournées».

Certos são os primeiros concertos dos Madredeus de 6 a 8 e de 13 a 15 de Novembro no Teatro Ibérico, em Lisboa, o espaço onde o grupo nasceu.