Os álbum “Mundo”, de Mariza, e “Herança”, de Lura, estão entre os dez melhores do mundo, segundo a revista de música e entretenimento britânica Songlines, numa lista que também inclui Ilaria Graziano & Francesco Forni e Kimmo Pohjonen.

“Mundo”, de Mariza, é um dos dez melhores álbuns do ano, segundo a Songlines, composto por "fados clássicos e magníficas baladas pop”, a merecer “um grande aplauso”.

O jornalista Nigel Williamson, que assina o texto, especialista em música pop e músicas do mundo, afirma que "a primeira-dama do Fado vive atualmente um momento muito feliz”, e realça, entre outros temas de “Mundo”, “a batida de ‘Missangas’ e a arrebatadora canção ‘Sombra’, que garantem a Mariza o estatuto de rainha do fado tradicional”.

O crítico refere ainda “as espantosas baladas pop ‘Melhor de Mim’ e ‘Adeus’, o etéreo 'Sem Ti' e o maravilhoso e brilhante 'Saudade Solta'”.

Williamson faz notar “a maturidade expressiva que dá à voz, que está melhor que nunca”, e afirma que, já que Mariza canta, de vez em quando, nos seus concertos, “I will always love you'”, de Whitney Houston, “talvez as fusões pop/fado de ‘Mundo’ não sejam uma surpresa, mas Mariza fê-lo com talento, destreza e autoconfiança, que é simplesmente de tirar o fôlego”.

Mariza disse à Lusa, em outubro, que o CD “Mundo” é “um convite” para o público conhecer melhor o seu universo, o seu mundo, aquilo que é, e como evoluiu e se transformou.

“Este CD surge como um convite às pessoas para visitarem o meu mundo, no que me tornei agora, passados 15 anos [do primeiro CD], até este álbum, o que sou, naquilo que me transformei, como eu vejo agora a música, aquilo que sinto e o que é para mim”, disse à Lusa a fadista.


“Mundo” inclui dois temas do repertório de Amália Rodrigues - “Anda o sol na minha rua” e “Maldição” -, é produzido pelo músico espanhol Javier Limón, que produziu anteriormente o álbum “Terra” (2008) da cantora, e marca o regresso de Mariza a estúdio, cinco anos depois de “Fado tradicional”.

Sobre “Herança”, sexto álbum de estúdio de Lura, a revista realça a “voz rouca” da cantora, que escolheu “maravilhosos e ritmados funanás”, como “Sabi di mas” e “Ness tempo di nha bidijissa” e que, com este CD, “se aproxima das suas raízes cabo-verdianas, sem abandonar Lisboa”, a cidade onde nasceu.

“Cabo Verde é revisitado e reinventado num ritmo ‘jazzy’”, afirma a revista, que realça a “excelência” dos músicos que acompanham Lura, entre os quais Pedro Jóia e Naná Vasconcelos.

“Um CD que é um misto de canções originais e recriações de temas melancólicos”, afirma o crítico Alex Robinson, especialista em música de origem lusófona, que assina o texto sobre o álbum.

Robison enfatiza o “toque contemporâneo” em clássicos como “Maria di lida” e “Somada”, de Kaka Barbosa, realçando a “destreza da boa produção”.

O CD, publicado em setembro último, é constituído por 14 canções, nove das quais inéditas, um álbum que Lura disse à Lusa ser "um contar de histórias" que os antepassados lhe deixaram.

"O meu património de Cabo Verde é a história que todos os meus antepassados me contaram, me deixaram como herança e são essas que conto", precisou.

Além de Mariza e Lura, a lista da Sonlines, dos dez melhores álbuns do mundo, em 2015, é ainda composta pelos trabalhos do duo italiano Ilaria Graziano & Francesco Forni ("From Bedlam to Lenane"), do finlandês Kimmo Pohjonen ("Sensitive Skin"), dos turcos Kardes Turkuler ("Kerwane") e do chinês Yuan Deng ("The Mountain and the River").

Completam a lista os discos "Viva Diaspora", do DJ alemão Shantel, "Urram", da britânica Karen Matheson, a coletânea "Vicennial: 20 Years of The Hot 8 Brass Band", do coletivo de Nova Orleães, e a recolha "Lost in Mali", que reúne canções de artistas "nunca ouvidos fora das fronteiras" do seu país.