Leonard Cohen: memorável para os dois lados

Três horas inesquecíveis com o músico canadiano

Por: Redacção/ Pedro Calhau | 2008-07-20 05:17

Nove em ponto! A hora marcada. Leonard Cohen está em palco com os seus músicos e a suas cantoras. A elegância em fatos pretos e chapéu acompanha a pontualidade quando a luz do dia ainda não deixou Lisboa. Mas o que está para acontecer vai perdurar pela noite... e por muito mais...

Foi seguramente um dos melhores concertos dos últimos tempos... e dos que estão para vir também muito provavelmente. Goste-se mais, ou menos - não é essa a questão; não é (só) um caso de gosto, pois nunca foi menos do que excelente.

Porque fazer depender a justificação para parcialidades da cumplicidade de quem não consegue deixar de «ser apaixonado» pela música do poeta-escritor-compositor-cantor quando num destes últimos 40 anos passou a tê-la entre as eleitas não é suficiente para reduzir aquilo a que se assistiu - porque, para estes, foi memorável!

«Dance me to the end of love» iniciou o bailado do gentleman Cohen cujos primeiros passos agarraram desde logo os oito a nove milhares de pessoas que estiveram no Passeio Marítimo de Algés. «The future», «Ain't no cure for love», «Bird on the wire», «Everybody knows» vincaram em sucessão what he meant: que, como diria mais tarde, «não estava ali para enganar ninguém».

Cortês e ligeiro

Cohen sublimava uma actuação brilhante com uma cortesia que repartia entre aqueles a quem, do outro lado, tratou sempre por seus «amigos» e os que o acompanhavam em palco, que sempre fez questão de nomear várias vezes durante a noite. Mas quem já viu ao longo dos seus 73 anos que nem todos os momentos são assim perfeitos tocou os sinos a rebate contra o «caos e a desordem» deste Mundo antes de 20 minutos de descanso (também escrupulosamente cumpridos) - de cujos parecia ser o último a precisar dada a ligeireza que sempre mostrou nas viagens entre palco e bastidores ora a correr ligeiramente ora a dançar.

Foram duas partes de um concerto, mas uma mesma história: um desfilar de canções que cada um há-de ter como uma das suas preferidas, tal foi a riqueza da oferta na quantidade e cuja qualidade das vozes e dos instrumentistas não deixou aquém. «Tower of song», «Suzanne», «Hallelujah», «Democracy», «I'm Your man», «Take this walz», «So long Marianne», «First we take Manhattan», «If it be your will» não esgotaram o repertório apresentado, mas a maior parte delas era suficiente para apaziguar o mais exigente .

Leonard Cohen não enganou ninguém, de facto. Nem quando chegou a altura certa de «Closing Time» anunciar a despedida. Chegavam ao fim três horas certas de um espectáculo tão inesquecível para quem assistiu como, pelas suas palavras, para o próprio Cohen: «Thank you for this memorable evening!»

No Leonard, thank you!

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